Donald Trump é escolhido Pessoa do Ano pela revista ‘Time’
É a segunda vez que o presidente eleito dos EUA recebe o reconhecimento

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, foi escolhido pela revista Time como a pessoa do ano. É a segunda vez em menos de uma década que o republicano recebe o reconhecimento.
Trump derrotou uma lista de finalistas composta da vice-presidente americana Kamala Harris, sua rival nas urnas; a princesa Kate Middleton, do Reino Unido, que lutou contra um câncer ao longo do ano; o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no centro do explosivo Oriente Médio; a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, primeira mulher a ser eleita para o cargo no país; o bilionário Elon Musk; e o apresentador de podcast Joe Rogan.
O título — historicamente concedido a figuras que moldaram dramaticamente os eventos globais — serve como termômetro do que é significativo no momento. Todos os presidentes dos Estados Unidos desde Franklin D. Roosevelt — exceto Gerald Ford — ganharam o título pelo menos uma vez, tornando a seleção anual da Time uma espécie de rito de passagem presidencial.
A revista ressaltou a persistente capacidade de Trump de atrair atenções, atrair apoiadores e despertar sentimentos intensos, positivos ou negativos. Isso apesar de, ou por causa de, sua tumultuada trajetória política, que culminou numa vitória decisiva na eleição presidencial em novembro.
“O renascimento político de Trump não tem paralelo na história americana”, afirmou a publicação, desatando a narrar a sucessão de acontecimentos insólitos que marcaram a campanha.
Seu primeiro mandato terminou em desgraça, com suas tentativas de anular os resultados das eleições de 2020 culminando no ataque ao Capitólio dos EUA. Ele foi rejeitado pela maioria dos oficiais do partido quando anunciou sua candidatura no final de 2022, em meio a várias investigações criminais.
Mesmo assim, pouco mais de um ano depois, Trump limpou o campo republicano, enquanto dividia seus dias entre comícios e tribunais. A bala de um assassino passou de raspão por sua orelha durante um evento eleitoral em Butler, na Pensilvânia, em julho. Nos quatro meses seguintes, ele derrotou não um, mas dois oponentes democratas, varreu todos os sete estados-pêndulo e se tornou o primeiro republicano a ganhar o voto popular, além do Colégio Eleitoral, em 20 anos.
A política americana já não é a mesma, afirmou a Time, com o Partido Republicano refeito e os democratas tentando avaliar o que precisam mudar para seguir em frente.
Em entrevista à publicação, que apareceu junto à nomeação, Trump afirmou que um de seus primeiros atos oficiais como presidente seria perdoar a maioria dos manifestantes acusados ou condenados por invadir o Capitólio para bloquear a certificação da vitória de Biden em 2021.
“Vai começar na primeira hora. Talvez nos primeiros nove minutos”, disse ele.
O presidente eleito também contou à revista sobre seus pensamentos sobre o fim da guerra na Ucrânia.
“O Oriente Médio é um problema mais fácil de lidar do que o que está acontecendo com a Rússia e a Ucrânia. O número de jovens soldados mortos em campos por todo o lugar é impressionante. É uma loucura o que está acontecendo”, ele disse, antes de criticar Kiev por atacar o território russo com mísseis feitos nos Estados Unidos. “Discordo veementemente em lançar mísseis a centenas de quilômetros Rússia adentro. Por que estamos fazendo isso? Estamos apenas intensificando esta guerra e piorando-a.”
Trump acrescentou que usaria o apoio de Washington à Ucrânia como alavanca contra a Rússia, num esforço para acabar com a guerra: “Quero chegar a um acordo, e a única maneira de chegar a um acordo é não abandonar”.
Sobre a inflação, Trump disse à Time que vai se esforçar especificamente para reduzir o preço dos alimentos e produtos de supermercado.