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Documentário exibe áudios terríveis e inéditos de Eichmann

Líder nazista diz nas gravações de 1957 que não se importava se os judeus que ele mandava para Auschwitz 'vivessem ou morressem', entre outros absurdos

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 jul 2022, 20h05 • Atualizado em 4 jul 2022, 20h12
  • Em 1961, o depoimento de Adolf Eichmann, um dos principais organizadores do nazismo, chocou o mundo em seu julgamento, com os testemunhos dos sobreviventes do Holocausto, e todo horror vivido por eles durante a Segunda Guerra Mundial. Mais de sessenta anos depois, uma nova série documental israelense exibe áudios horripilantes do empregado de Hitler, em sua própria voz.

    A série chamada “A Confissão do Diabo: As Fitas Perdidas de Eichmann”, trazem seus depoimentos, em alemão, falando atrocidades, como que “não se importava” se os judeus que ele enviou para Auschwitz vivessem ou morressem.

    “Se tivéssemos matado 10,3 milhões de judeus, eu diria com satisfação: ‘Bom, destruímos um inimigo.’ Então teríamos cumprido nossa missão”, disse Eichmann em uma das gravações.

    Ele falou ainda que os judeus tinham que trabalhar, e os que não estavam aptos a fazer isso, deveriam ser enviados para a “solução final”, uma forma de se referir ao extermínio da comunidade judaica. Além disso, ainda comparou a natureza com a dos judeus com a das moscas.

    Eichmann foi o único dos líderes nazistas a ser julgado em Jerusalém. Mesmo antes de ser exterminado, negava ser culpado pela morte de milhões de judeus. Ele alegava ser apenas um funcionário, cumprindo ordens. Mais tarde, seus depoimentos deram origem à teoria da banalidade do mal, da filósofa Hannah Arendt.

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    As gravações foram feitas em 1957, na Argentina, por Willem Sassen, um jornalista holandês e oficial nazista durante a Segunda Guerra Mundial. O objetivo era publicar um livro posteriormente. Ele e Eichmann faziam parte de um grupo de fugitivos nazistas em Buenos Aires, onde se encontravam esporadicamente para beber.

    Após a captura de Eichmann pelos israelenses, Sassen vendeu as transcrições para a revista Life, que publicou um trecho resumido. Depois, as fitas foram vendidas para uma editora europeia, e em seguida para uma empresa que quis permanecer anônima, e que as colocou nos arquivos federais alemães em Koblenz, com instruções de que deveriam ser usadas apenas para pesquisas acadêmicas.

    Há mais de duas décadas, o governo alemão divulgou apenas alguns minutos do áudio para o grande público. Agora, os proprietários das fitas decidiram dar acesso completo a cineastas, incluindo Yariv Mozer, diretor da série e neto de sobreviventes do Holocausto. Ao todo, Sassen gravou 70 horas de material, mas só restaram 15.

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    Além dos depoimentos de Eichmann, o documentário exibe encenações de encontros de simpatizantes do nazismo em 1957 em Buenos Aires, imagens de arquivo e entrevistas com participantes sobreviventes do julgamento.

    A série também examina os interesses das lideranças israelense e alemã em um momento de crescente cooperação e como eles podem ter influenciado os processos judiciais.

    Relatos mostram que o primeiro-ministro israelense na época preferia que as fitas não fossem ouvidas, por causa de detalhes comprometedores que poderiam surgir sobre um ex-nazista que trabalhava no escritório da chanceler alemã, e por causa do caso divisivo de Rudolf Kastner, um judeu húngaro que ajudou muitos judeus a se salvarem, mas também foi acusado de colaborar com Eichmann.

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