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Dilma chama Temer de traidor e se irrita com pergunta

A ex-presidente falou à emissora Al Jazeera sobre as forças que levaram à sua queda e insistiu que houve um 'processo de desumanização' de sua figura

Por Da redação 16 dez 2016, 20h56

Em entrevista à emissora Al Jazeera, do Catar, divulgada nesta quinta-feira, a ex-presidente Dilma Rousseff definiu Michel Temer como “um presidente ilegítimo”, que a traiu politicamente. A petista teve uma conversa com o jornalista Mehdi Hasan, marcada por momentos de irritação, na qual comentou o processo de impeachment e mencionou a participação do “machismo e da misoginia” em sua saída.

Ao ser questionada sobre sua confiança declarada em Temer no passado, Dilma afirmou que o atual presidente assumiu o cargo através de “um processo baseado em rasgar a Constituição”, transformando “uma votação do Senado em um mecanismo de chegada ao poder”. “As pessoas fazem maus julgamentos”, disse a petista. “Eu jamais imaginei que ele fosse um traidor e ele é um traidor”.

A tensão teve seu ápice na entrevista quando Dilma questionou informações de Hasan, que indicou que seu governo ajudou grandes empresas com o corte de meio bilhão de dólares de impostos, relacionados à Copa do Mundo e à Olimpíada. “Está errado seu dado”, insistiu Dilma. Segundo ela, se tratou de uma política de “incentivo ao investimento”, para que as empresas contratassem mais funcionários ou evitassem demissões.

  • Acerca do processo de impeachment, Dilma culpou “três forças políticas” por corroborarem para sua queda: “a mídia oligopolista”, “a oposição que nós derrotamos quatro vezes nas urnas” e os “segmentos descontentes do empresariado brasileiro”. Além disso, a ex-presidente disse ter visto um “processo de misoginia e machismo”. “Eu fui transformada em uma mulher dura, extremamente dura”, comentou. “Homem é firme, mulher é dura. Homem é determinado, a mulher é cabeça dura e só faz isso”.

    Dilma ainda lembrou o episódio em que foi criticada por supostamente “matar” seu cachorro de 14 anos, antes de deixar o Palácio do Planalto. Segundo ela, a decisão de sacrificar o animal de estimação, que tinha uma doença terminal, foi postergada o máximo possível. “Aí foi dito o seguinte: ‘Ela mata cachorro'”, criticou a petista. “Tem um processo de desumanização sobre mim muito forte”.

    Assista a entrevista na íntegra:

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