Depois de balde de água fria de Trump, Rússia simula ataque nuclear em exercícios militares
Presidente dos EUA adiou planos para nova cúpula com Putin, após entender que Kremlin mantém ainda posições 'inflexíveis'
Durante exercícios militares abrangentes nesta quarta-feira, 22, a Rússia realizou uma simulação de ataque nuclear, um dia após os Estados Unidos anunciarem um adiamento nos planos para uma segunda cúpula entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump.
O Kremlin divulgou um vídeo mostrando o general Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior, fazendo um relatório a Putin sobre os exercícios. O treinamento incluiu lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais, com capacidade de carregar ogivas, cujo longo alcance permitiria um ataque direto aos Estados Unidos.
Pareceu um recado calculado. Em momentos-chave da guerra na Ucrânia, o presidente russo costuma alertar Kiev e seus aliados no Ocidente sobre o poderio nuclear da Rússia. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar que inclui os Estados Unidos e uma série de países europeus, também realizou exercícios de dissuasão nuclear neste mês.
“Reunião desperdiçada”
Durante uma conversa por telefone na semana passada, Putin e Trump concordaram em realizar uma cúpula na Hungria, que, segundo o Kremlin, poderia ocorrer dentro de algumas semanas. Mas, após uma outra ligação entre o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, a Casa Branca afirmou na terça-feira 21 que o presidente dos Estados Unidos não tinha planos de se encontrar com o homólogo russo “no futuro imediato”.
Durante a conversa, o chanceler russo teria deixado claro que o local e o momento da próxima cúpula entre os presidentes é menos importante do que avanços para implementação de entendimentos alcançados no Alasca, durante reunião anterior entre os dois líderes. De acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, o atraso ocorreu porque o chefe da diplomacia da Rússia teria reiterado seus termos anteriores para chegar a um acordo de paz, incluindo a concessão por parte da Ucrânia de toda a região sudeste de Donbass, o que as autoridades americanas entenderam como uma “posição maximalista e inflexível”. Na semana passada, Trump sugeriu que as linhas atuais do conflito deveriam ser congeladas, o que o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ser razoável.
Autoridades do Kremlin insistiram, porém, que os preparativos para a cúpula seguem de pé.
“As datas ainda não foram definidas, mas é necessária uma preparação completa antes disso, e isso leva tempo”, afirmou o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, à imprensa nesta quarta.
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, ecoou o posicionamento: “Os preparativos para a cúpula continuam. Não vejo grandes obstáculos”, afirmou ele, segundo a mídia estatal russa RIA. “É um processo difícil, admito – mas é exatamente para isso que existem os diplomatas.”
Novos ataques
Depois do anúncio sobre o adiamento da cúpula Trump-Putin aumentar a incerteza sobre o processo de paz, Rússia e Ucrânia trocaram ataques pesados nesta madrugada. Autoridades ucranianas disseram nesta quarta que seis pessoas, incluindo duas crianças, morreram devido a bombardeios em Kiev e regiões circundantes, além de haver apagões em todo o país. O Ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, apelou aos parceiros internacionais de Kiev para que mobilizem “suporte energético adicional” para evitar uma crise humanitária com a aproximação do inverno.
As Forças Armadas da Ucrânia também informaram que usaram mísseis franco-britânicos Storm Shadow na noite passada para atingir uma fábrica de produtos químicos na região de Bryansk, no sul da Rússia.
“As palavras russas sobre diplomacia não significam nada enquanto a liderança russa não sentir problemas críticos. E isso só pode ser garantido por meio de sanções, capacidades de longo alcance e diplomacia coordenada entre todos os nossos parceiros”, disse Zelensky.





