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Departamento de Justiça de Trump cria força-tarefa para investigar Barack Obama

Governo dos EUA acusa ex-presidente de 'conspirar para trair a nação' por sugerir que houve interferência russa nas eleições de 2016, que elegeram Trump

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jul 2025, 15h45 •
  • O Departamento de Justiça dos Estados Unidos formou, nesta quinta-feira, 24, uma força-tarefa “de ataque” para investigar Barack Obama. O anúncio feito pela procuradora-geral, Pam Bondi, veio depois da diretora de inteligência do governo Donald Trump, Tulsi Gabbard, abrir arquivos secretos da equipe de segurança do ex-presidente americano, que ocupou a Casa Branca por dois mandatos, de 2009 a 2017, e acusá-lo de “conspirar para trair o país”. Segundo Gabbard, o líder democrata teria usado informações falsas para sugerir que a Rússia interferiu nas eleições presidenciais de 2016 em prol de Trump, que venceu o pleito contra Hillary Clinton.

    Durante sua última campanha eleitoral, o republicano discutiu o objetivo declarado de remodelar inteiramente o Departamento de Justiça, que ele acusou de promover uma campanha insidiosa contra sua pessoa, e transformá-lo numa máquina para reprimir opositores. Além do ex-presidente Joe Biden, Obama já era considerado pela mídia americana um dos seus possíveis alvos.

    Dois senadores republicanos, Lindsey Graham e John Cornyn, ambos membros do comitê judiciário do Senado, pediram nesta quinta-feira que Bondi nomeasse um procurador especial para investigar o que chamaram de “um abuso de poder claro e sem precedentes” por parte do governo Obama.

    “Para o bem do país, instamos a Procuradora-Geral Bondi a nomear um procurador especial para investigar até que ponto o ex-presidente Obama, sua equipe e funcionários do governo manipularam o aparato de segurança nacional dos Estados Unidos para obter ganhos políticos”, disseram os senadores em um comunicado.

    As acusações

    Gabbard alegou que Obama e altos funcionários de seu governo tramaram um “golpe de anos” contra Trump – supostamente expresso em uma investigação do procurador especial e inquéritos do FBI – ao “fabricar” informações de inteligência nas semanas após a vitória de Trump sobre Hillary em 2016, com o objetivo de demonstrar conluio entre sua campanha e a Rússia.

    Ela recomendou que o Departamento de Justiça apresentasse acusações criminais, inclusive contra o próprio Obama. O atual presidente americano aceitou o argumento e disse que as conclusões de Gabbard revelam “provas irrefutáveis” de traição. O gabinete de Obama emitiu uma rara declaração na terça-feira, chamando as alegações de “ultrajantes” e “ridículas”.

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    “O Departamento de Justiça tem orgulho de trabalhar com minha amiga, a diretora Gabbard, e somos gratos por sua parceria na responsabilização do povo americano. Investigaremos essas revelações preocupantes completamente e faremos todo o possível para fazer justiça”, disse Bondi em comunicado na quarta-feira.

    Segundo a emissora conservadora Fox News, a força-tarefa de Bondi “não vai descartar nenhuma pista “.

    Entraves e alvos amplos

    No entanto, qualquer iniciativa para processar Obama provavelmente será impedida por uma decisão emitida pela Suprema Corte dos Estados Unidos no ano passado, que concedeu a presidentes, ativos ou fora do cargo, ampla imunidade contra investigações criminais por atos cometidos no exercício de suas funções.

    Na época, a decisão beneficiou Trump, indiciado em quatro ações judiciais diferentes por atos cometidos em sua primeira presidência – incluindo a tentativa de reverter os resultados da eleição que ele perdeu, em 2020, para Joe Biden. Ironicamente, agora ela pode atrapalhar os planos de seu governo.

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    Várias outras pessoas citadas nos arquivos secretos abertos por Gabbard, porém, podem ser alvos mais fáceis. Entre eles estão James Clapper, chefe de inteligência nacional na era Obama; John Brennan, ex-diretor da CIA; James Comey, que comandou o FBI até ser demitido por Trump; Andrew McCabe, ex-vice-presidente de Comey; Susan Rice, ex-assessora de segurança nacional; John Kerry, ex-secretário de Estado; e Loretta Lynch, então procuradora-geral.

    Brennan já foi alvo de uma denúncia criminal pelo atual diretor da CIA, John Ratcliffe. Kash Patel, diretor do FBI, também abriu uma investigação criminal contra Brennan e Comey, segundo a Fox News, embora seu escopo não esteja claro.

    Interferência eleitoral russa

    Durante sua primeira presidência, Trump publicamente aceitou as conclusões do FBI de que a Rússia, de fato, havia tentado interferir na corrida eleitoral de 2016. Um relatório de 1.000 páginas do comitê de inteligência do Senado, de 2020, também concluiu que a Rússia interveio em nome de Trump, observando que o chefe de campanha republicana mantinha contato regular com um oficial de inteligência russo.

    O documento disse explicitamente que Moscou não realizou ataques cibernéticos com objetivo, por exemplo, de alterar a contagem de votos do pleito, mas sim hackeou e vazou documentos da Convenção Nacional Democrata (DNC) para prejudicar a campanha de Hillary – atividade que Trump encorajou na época.

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    A narrativa que Gabbard construiu agora, no entanto, é outra. Em sua aparição na Casa Branca na quarta-feira, ela apresentou um relatório de 2020 do comitê de inteligência da Câmara dos Deputados, que, segundo ela, demonstrava que o objetivo da interferência russa era minar a confiança no processo eleitoral americano, em vez de ajudar Trump.

    O documento concluiu que o presidente russo, Vladimir Putin, não planejava vazar os materiais mais prejudiciais a Hillary antes da eleição, segundo a diretora de inteligência – que incluiriam descobertas como “possíveis atos criminosos” e e-mails de um hacker do Comitê Nacional Democrata (DNC), mostrando que a candidata sofria de “problemas psicoemocionais”, “acessos incontroláveis de raiva, agressividade e alegria” e tomava “tranquilizantes pesados” diariamente.

    Gabbard também alegou que uma avaliação da comunidade de inteligência sobre o esquema russo excluiu deliberadamente informações “significativas” que contradiziam as principais conclusões da suposta preferência do Kremlin por Trump.

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