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Democratas perdem espaço na Câmara e abandonam sonho do Senado

Ao contrário da onda azul de 2018, disputas ficam acirradas e partido garante apenas 47 cadeiras na casa legislativa mais alta, quatro abaixo da maioria

Por Da Redação 5 nov 2020, 20h00

Nas eleições dos Estados Unidos, o Partido Democrata nutria o sonho de, além de desafiar a Presidência de Donald Trump, recuperar o controle do Congresso. Contudo, nesta quinta-feira, 5, resultados mostram que a maioria que o partido detinha na Câmara dos Deputados se enfraqueceu, e o Senado provavelmente continuará sob controle republicano. São más notícias para o possível futuro líder americano, Joe Biden, que, se eleito, enfrentará muita resistência da oposição.

Ao contrário da onda azul de 2018, quando os democratas obtiveram 54% dos votos, resultados preliminares deste ano sugerem que a margem nacional encolheu quatro pontos percentuais – praticamente um empate.

Distritos de classe média moderados, como Charleston, na Carolina do Sul, devolveram o controle ao Partido Republicano, frustrando os planos democratas de expansão. Apesar de o controle da Câmara provavelmente permanecer com os democratas, a margem deve ser muito menor.

Enquanto isso, as grandes expectativas para uma retomada do Senado foram frustradas. Apesar de conseguir vitórias no Arizona e no Colorado, as aspirações de obter cadeiras em Iowa e Montana, estados conservadores, não se concretizaram. No total, 47 cadeiras foram vencidas por democratas, quatro abaixo da maioria (ou três, no caso de um empate decidido pelo vice-presidente democrata).

Vulnerável, a republicana Susan Collins conseguiu uma vitória confortável, em um golpe aos democratas. O republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, também conseguiu uma vitória apertada.

Mesmo com o recorde de arrecadação de 100 milhões de dólares para derrotar o republicano Lidsey Graham, da Carolina do Sul, ele venceu por 14 pontos percentuais. A composição final do Senado, contudo, pode ficar para janeiro, até que a Geórgia realize as eleições de segundo turno.

Se Biden vencer com um Congresso desunido, grande parte de sua ambiciosa agenda, que envolve uma reforma do sistema de saúde e gastos astronômicos contra o aquecimento global, é colocada em xeque. O posicionamento contra dívidas e déficits dos republicanos deve prejudicar investimentos polpudos de um governo Biden – assim como aconteceu durante grande parte da Presidência de Barack Obama.

Se Trump vencer, a Câmara controlada pelos democratas deve manter a posição de “resistência”, podendo ainda endurecer sua postura. Além disso, com um resultado tão acirrado, é improvável que ocorram articulações interpartidárias.

Segundo a revista americana The Economist, mesmo com a incerteza em relação ao próximo presidente, existe uma certeza de que, devido a essa composição, o Congresso fará muito pouco nos próximos anos.

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