Declaração de Zelensky abre crise diplomática entre Ucrânia e Coreia do Sul
Seul afirma que Kiev violou acordo ao fazer anúncio na Assembleia Geral da ONU sobre soldados capturados
A Coreia do Sul convocou nesta segunda-feira, 28, o encarregado de negócios da Ucrânia em Seul e exigiu explicações e um pedido formal de desculpas após o presidente Volodymyr Zelensky revelar a transferência de dois prisioneiros de guerra norte-coreanos para o país. Segundo o governo sul-coreano, a divulgação violou um acordo para manter a operação em sigilo. Kiev, porém, nega que tenha firmado esse compromisso.
Zelensky anunciou a transferência durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na semana passada. Os dois homens haviam sido capturados por forças ucranianas em 2025, durante combates contra tropas russas, e estavam entre os milhares de soldados enviados pela Coreia do Norte para apoiar Moscou na guerra contra a Ucrânia.
O governo do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, reagiu imediatamente. No domingo, o secretário presidencial para Relações Públicas, Seong Ghi-hong, afirmou que Seul recebeu com “forte pesar” a divulgação unilateral da transferência e pediu uma explicação oficial e um pedido de desculpas. Segundo ele, o acordo de confidencialidade havia sido estabelecido por preocupações com a segurança dos soldados e de seus familiares na Coreia do Norte, além de questões diplomáticas e de segurança nacional.
A tensão aumentou depois que uma fonte do gabinete presidencial ucraniano negou a existência do acordo. Para Seul, a negativa agravou o episódio e prejudicou a confiança entre os dois governos. Nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores sul-coreano convocou o encarregado de negócios Andrii Vieshkin para formalizar o protesto. O diplomata afirmou que levaria as preocupações do governo sul-coreano a Kiev.
Prisioneiros queriam ser enviados à Coreia do Sul
Os dois norte-coreanos manifestaram, ainda quando estavam na Ucrânia, o desejo de se estabelecer na Coreia do Sul. Seul havia pedido que eles não fossem devolvidos à Coreia do Norte, onde poderiam sofrer perseguição. Pela legislação sul-coreana, os cidadãos do Norte são considerados parte da população do país, que mantém uma política de acolhimento e apoio financeiro a desertores. Mais de 34 mil norte-coreanos fugiram para a Coreia do Sul desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953.
A captura dos soldados também colocou em evidência a participação norte-coreana na guerra. Rússia e Coreia do Norte reconheceram em 2025 que tropas de Pyongyang haviam combatido ao lado das forças russas. Seul, Estados Unidos e outros países também acusam o regime de Kim Jong-un de fornecer munição, artilharia e mísseis a Moscou em troca de assistência econômica e militar.
Relação com a Ucrânia
A Coreia do Sul tem apoiado a Ucrânia com ajuda humanitária e outras formas de assistência e aderiu às sanções lideradas pelos Estados Unidos contra a Rússia. O governo sul-coreano, contudo, mantém uma política de não fornecer armas diretamente a países envolvidos em conflitos e resistiu aos pedidos de Kiev e da Otan por apoio militar direto.





