Congressistas dos EUA acusam Departamento de Justiça de censurar arquivos do caso Epstein
Membros do Congresso alegam que documentos foram redigidos indevidamente para ocultar nomes de pessoas poderosas
Membros do Congresso dos Estados Unidos acusaram o Departamento de Justiça americano (DOJ) de redigir indevidamente arquivos relacionados ao falecido predador sexual Jeffrey Epstein, divulgados no dia 30 de janeiro, com o objetivo de ocultar nomes de pessoas poderosas.
Os legisladores foram autorizados nesta segunda-feira, 9, a iniciar uma revisão das versões não editadas dos mais de três milhões de documentos divulgados sob a Lei de Transparência de Arquivos Epstein (EFTA) desde dezembro, informou a BBC News.
O deputado democrata Ro Khanna e o senador republicano Thomas Massie — que impulsionaram a lei que obrigou a liberação dos arquivos de Epstein no ano passado — disseram na segunda-feira que seis nomes, que segundo eles são “provavelmente incriminatórios” com base em sua inclusão nos arquivos de Epstein, foram “inapropriadamente” redigidos.
“A questão principal é que eles não estão cumprindo… minha lei, porque eles (arquivos) foram limpos em março pelo FBI de Donald Trump”, disse Khanna à emissora MS NOW. “O que descobrimos é que 302 formulários foram redigidos antes de chegarem ao DOJ”, em contradição com a lei aprovada quase por unanimidade no Congresso e assinada pelo presidente Trump em novembro, que exige que as informações não sejam redigidas antes de serem enviadas ao escritório da procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, e seu vice Todd Blanche.
Massie também denunciou que o nome de um “CEO aposentado bem conhecido” estava oculto na versão divulgada publicamente de um documento do FBI que listava potenciais colaboradores de Epstein.
“O FBI de Trump limpou esses arquivos em março”, disse Khanna nas redes sociais. “Eles precisam desobstruir os arquivos do FBI para sabermos quem são os homens ricos e poderosos que estupraram meninas menores de idade”.
Blanche respondeu às acusações, alegando que “o DOJ não está escondendo nada”.
A acusação dos legisladores se dá depois que os advogados das vítimas de Epstein disseram que uma parcela dos arquivos liberados incluía endereços de e-mail e fotos nuas de possíveis vítimas.
As vítimas então emitiram uma declaração chamando a divulgação de “ultrajante”, acrescentando que não deveriam ser “nomeadas, examinadas e retraumatizadas”.
Massie disse que o erro mostra que o Departamento de Justiça “precisa fazer um pouco mais de lição de casa” no tratamento dos arquivos.
O DOJ, por sua vez, disse que havia retirado todos os arquivos sinalizados e que os erros eram devidos a “erro técnico ou humano”.





