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Confusão, susto e expectativa alta: as reações em Caracas aos bombardeios dos EUA

Na Venezuela, o dia amanheceu mais cedo em 3 de janeiro. 'Sabia que algo importante estava acontecendo', afirma o aposentado José Moreno, 67

Por Santiago Martínez Ruano, de Caracas
3 jan 2026, 14h38 • Atualizado em 3 jan 2026, 15h00
  • Em Caracas, por volta das 2 da madrugada, quatro horas antes do amanhecer, o céu da capital venezuelana se iluminou neste sábado, 3, com cerca de uma dezena de bombardeios, que despertaram toda a cidade. A princípio, os habitantes não entenderam que se tratava de uma operação militar americana com objetivo de “capturar” Nicolás Maduro. Só ouviam aviões sobrevoando os céus e uma detonação atrás da outra.

    O aposentado José Moreno, 67 anos, pensou inicialmente que se tratava de fogos de artifício remanescentes das comemorações de Ano Novo, mas estrondos tão fortes e tão sucessivos o fizeram pensar que o tão desejado estava, finalmente, acontecendo: a queda do governo ou, no mínimo, a saída do ditador — o que, horas depois, foi confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    “Diante da continuidade das explosões, e por meio das redes sociais e de amigos próximos ao Forte Tiuna (um dos alvos), entendi que se tratava de outra coisa mais importante”, contou ele à reportagem de VEJA, que foi às ruas de Caracas para decifrar o que aflorou entre os venezuelanos após o choque inicial da invasão que interrompeu 12 anos de governo Maduro.

    Justamente perto do forte militar de Tiuna vive Lisbeth Torres. Ela, o marido e a filha acordaram no escuro total com a primeira detonação, que além disso deixou sua casa sem serviço de energia elétrica.

    “Eu não sabia o que estava acontecendo, foi assustador. Mas quando me aproximei da janela e ouvi aviões e mais explosões, entendi que algo grande estava ocorrendo”, disse Lisbeth.

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    Ela relatou que conseguiu, da casa de um vizinho, ver os incêndios no Forte Tiuna. Posicionada lá, acompanhou os bombardeios, que continuaram bem depois das 2h30 da manhã.

    José e Lisbeth coincidem em uma coisa: apesar da incerteza, que anda de mãos dadas com uma sensação de insegurança, olham para o futuro com expectativa. Ambos esperam uma transição de governo pacífica, sem vítimas, que a democracia seja restabelecida na Venezuela e que seus entes queridos, entre os quase 8 milhões que migraram do país, voltem para casa.

    A ver. Em coletiva de imprensa em sua residência na Flórida, o resort de luxo Mar-a-Lago, Trump afirmou neste sábado que os Estados Unidos “governarão” a Venezuela por tempo indeterminado, sem deixar claro como isso será feito, sob qual autoridade ou com que tipo de acordos.

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    “Não queremos que outra pessoa assuma o poder e continuemos na mesma situação que tivemos nos últimos anos. Portanto, vamos governar o país. Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e justa”, disse Trump, sem dar mais detalhes ou estabelecer um prazo para a duração dessa transição de poder.

    Mais cedo, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, Nobel da Paz de 2025, defendeu que seu colega, Edmundo González Urrutia, “deve assumir de imediato seu mandato constitucional e ser reconhecido como comandante chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados”. Ela foi barrada de concorrer, mas usou sua sua capacidade de mobilizar milhões de venezuelanos, incluindo a diáspora, para apoiar o diplomata de 76 anos, reconhecido internacionalmente como líder legítimo do país. O regime declarou a vitória de Maduro, apesar das evidências contrárias e das amplas acusações de fraude.

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