Comunidade indígena no Peru dá ‘ultimato’ ao governo e ameaça se juntar ao Brasil
Alerta surge em meio a crise agravada pelo avanço do narcotráfico e do crime organizado na região fronteiriça
O povoado de Bellavista Callarú, uma comunidade indígena no norte do Peru, fez um “ultimato” ao governo do país, após denunciar a falta de atenção do Estado, e levantou a possibilidade de “se incorporar” ao Brasil. As informações foram publicadas pelo portal Infobae na segunda-feira, 25.
O documento, feito por lideranças locais e encabeçado pelo prefeito Desiderio Flores Ayambo, dá um prazo de trinta dias para que autoridades respondam às reivindicações sobre falta de segurança e de serviços públicos básicos. A comunidade é habitada majoritariamente ela etnia ticuna e fica na região de Loreto, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
“Se não houver uma resposta concreta, consideraremos alternativas drásticas, incluindo a anexação ao Brasil”, disse o prefeito em declarações divulgadas pela imprensa regional. Segundo a Base de Dados de Povos Indígenas ou Originários, do governo do Peru, a comunidade tem população total de 1.118 pessoas.
O alerta surge em meio a uma crise agravada pelo avanço do narcotráfico e do crime organizado na região fronteiriça. Segundo autoridades locais, a ausência da presença estatal tem permitido que organizações criminosas transnacionais atuem com total impunidade, gerando uma escalada de violência que inclui assassinatos e extorsão.
“Nenhum ministro veio aqui, nem mesmo o governador regional, nem o Sr. René Chávez, que é o nosso governador de Loreto”, destacou Desiderio Flores, em entrevista à RPP, enfatizando a falta de comunicação com as autoridades nacionais e regionais.
A falta de integração com o resto do país não se mostra apenas institucionalmente, mas também economicamente, segundo o político.
“Aqui, não usamos a moeda peruana (sol); é tudo brasileiro e colombiano”, afirmou, referindo-se à predominância do real brasileiro e do peso colombiano nas transações cotidianas.
O prefeito explicou ainda que o posto médico local conta apenas com dois técnicos, sem médicos ou obstetras, o que obriga as gestantes de risco a serem encaminhadas para outras regiões ou até mesmo para hospitais no Brasil.
Na área da educação, a situação também é descrita como grave. A escola municipal não tem espaço suficiente e quase 200 alunos do ensino fundamental e mais de 200 do médio estudam juntos. Muitas vezes, estudantes precisam ter aulas no refeitório, o que afeta diretamente o processo de aprendizado.





