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Como foto de menino iraniano virou símbolo das crianças mortas em ataques dos EUA e de Israel

Mikaeil Mirdoraghi morreu após uma explosão nas proximidades da Escola Primária Imam Reza; Escola para meninas em Minab também foi alvo de bombardeio

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 mar 2026, 17h39 • Atualizado em 11 mar 2026, 17h53
  • Uma fotografia de um menino acenando para a mãe antes de ir à escola, onde seria morto, passou a ser usada pelo governo iraniano como símbolo das crianças mortas como “mártires” na guerra. A imagem mostra Mikaeil Mirdoraghi momentos antes de deixar a casa para ir à aula, em 28 de fevereiro — data que marcou o primeiro dia do conflito, desencadeado por ataques americanos e israelenses contra território iraniano, provocando uma sucessão de ataques retaliatórios na região.

    Segundo a imprensa iraniana, o garoto morreu após uma explosão nas proximidades da Escola Primária Imam Reza, destinada a meninos, na cidade de Abyek, na província de Qazvin, a oeste de Teerã. Imagens de câmeras de segurança mostram dezenas de estudantes no pátio quando uma forte detonação ocorre nas imediações, estilhaçando janelas e provocando correria entre as crianças.

    + Investigação preliminar reforça culpa dos EUA em ataque a escola no Irã

    Em entrevista ao jornal Hamshahri, ligado à prefeitura da capital iraniana, a mãe de Mikaeil contou que o filho pediu para ser fotografado antes de sair de casa naquela manhã. Segundo ela, na noite anterior o menino havia elogiado o jantar preparado pela família. “Mãe, a comida que você fez tem gosto de paraíso”, teria dito. Mais tarde, brincou com o irmão antes de dormir.

    Desde então, a fotografia passou a circular intensamente nas redes sociais e em canais ligados ao governo de Teerã, que a utiliza como representação das crianças mortas no conflito.

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    Ferramentas de verificação usadas por veículos de imprensa indicam alta probabilidade de que a imagem seja autêntica — um dado relevante em meio à grande quantidade de conteúdos manipulados ou produzidos por inteligência artificial que circulam durante a guerra.

    A autoria do bombardeio que atingiu a área da escola segue sob investigação. Utilizando imagens de satélite registradas antes e depois da explosão, o jornal The Times, com o auxílio de um especialista em geolocalização, concluiu que o alvo provável do ataque era uma torre de comunicações localizada a menos de 120 metros do parque infantil da escola. A estrutura foi reduzida a escombros após a detonação.

    Um vídeo do momento também mostra uma criança caindo no chão perto de uma trave de gol de futebol, aparentemente atingida por destroços. A agência de notícias semioficial Tasnim identificou o menino como Mahyar Zanganeh e afirmou que ele não sobreviveu.

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    No mesmo dia, outro bombardeio atingiu uma escola para meninas em Minab, no sul do Irã. Uma investigação militar em curso concluiu que os Estados Unidos são responsáveis pelo bombardeio que deixou ao menos 175 mortos.

    Organizações de professores iranianos se manifestaram sobre os episódios. “Temos membros ativos na província de Qazvin e no movimento de professores local, mas o contato ainda não foi possível devido às interrupções generalizadas da internet em todo o país”, afirmou Shiva Amelirad, representante internacional do Conselho Coordenador dos Sindicatos de Professores Iranianos, sediada em Toronto.

    Ataques deliberados a escolas, hospitais ou quaisquer estruturas civis são considerados um crime de guerra, de acordo com o direito internacional.

     

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