Comitê da ONU denuncia ‘discurso de ódio racista’ de Trump contra imigrantes
Entidade diz que 'linguagem depreciativa e desumanizante' usada pelo presidente dos EUA alimenta violações graves de direitos humanos no país
O Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD, na sigla em inglês) afirmou nesta quarta-feira, 11, que o “discurso de ódio racista” promovido pelo presidente Donald Trump e por outros líderes políticos tem alimentado violações graves de direitos humanos nos Estados Unidos. A declaração critica o uso de “linguagem depreciativa e desumanizante” contra imigrantes, refugiados e solicitantes de asilo.
De acordo com o CERD, esses grupos têm sido retratados como “criminosos” ou como um “fardo” por lideranças políticas, “em particular pelo presidente”. Esse cenário, diz o comitê, promove a intolerância e cria um ambiente que pode incitar a discriminação racial e os crimes de ódio. A entidade deu ênfase particular nas ações do ICE, afirmando que a polícia de imigração americana “faz uso sistemático de perfilamento racial”, referindo-se à prática discriminatória em que agentes de segurança utilizam raça, etnia, religião ou origem nacional — em vez de suspeitas individuais fundamentadas — como base para abordar, revistar ou investigar pessoas.
“(O foco do ICE) em pessoas de origem hispânica/latina, africana ou asiática e os controles de identidade arbitrários deram lugar à detenção generalizada de refugiados, solicitantes de asilo, imigrantes e pessoas percebidas como tais”, denunciou o CERD.
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Desde o retorno de Trump à Casa Branca, a polícia migratória se tornou o braço forte do presidente em seu projeto para fazer “a maior deportação em massa da história” dos Estados Unidos, com pelo menos 675 mil pessoas expulsas do país em decorrência da controversa cruzada contra estrangeiros. A agência foi responsável por conduzir uma longa operação no estado de Minnesota, que terminou após a revolta generalizada fomentada pela morte de dois cidadãos americanos durante protestos, Renee Good e Alex Pretti, e a prisão de uma criança de cinco anos.
Composto por 18 especialistas independentes, responsáveis por monitorar a aplicação da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial pelos países das Nações Unidas, o CERD pediu que o governo dos Estados Unidos assegure que todas as supostas violações cometidas pelo ICE durante suas operações em Minneapolis sejam devidamente investigadas e responsabilizadas.
O comitê também destacou as “condições desumanas” nos centros de detenção para imigrantes, cuja população saltou de 40 mil no fim de 2024 para 73 mil no início deste ano, muitos deles enfrentando atendimento médico precário. Segundo o CERD, pelo menos 29 detidos morreram sob custódia em 2025, e outros seis em janeiro deste ano.





