Com veto da Hungria, União Europeia não consegue aprovar novas sanções contra a Rússia
Impasse ocorre às vésperas da marca de quatro anos da invasão à Ucrânia e expõe divisões no bloco europeu
A União Europeia não conseguiu aprovar, nesta segunda-feira, 23, um novo pacote de sanções contra a Rússia, após veto da Hungria. O impasse ocorre às vésperas da marca de quatro anos da invasão russa em larga escala à Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, e expõe divisões internas no bloco europeu.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, confirmou que os ministros das Relações Exteriores não chegaram a consenso sobre o 20º pacote de sanções, que pretendia atingir a chamada “frota paralela” russa — utilizada para driblar restrições comerciais — e ampliar as limitações às receitas energéticas de Moscou. “É um revés e uma mensagem que não queríamos transmitir hoje”, declarou.
Além de bloquear as novas punições, Budapeste também trava a liberação de um empréstimo de 106 bilhões de dólares destinado a sustentar as necessidades militares e econômicas de Kiev pelos próximos dois anos. A ajuda já havia sido aprovada pelos líderes europeus.
O governo do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, condiciona seu apoio à retomada do fornecimento de petróleo ao país. Os envios para Hungria e Eslováquia estão interrompidos desde 27 de janeiro, após danos no oleoduto Druzhba, infraestrutura que atravessa o território ucraniano e abastece a Europa Central. Autoridades em Kiev atribuem o problema a ataques russos, enquanto Orbán acusa a Ucrânia de reter deliberadamente os carregamentos.
Em Bruxelas, o chanceler húngaro, Péter Szijjártó, afirmou que “ninguém tem o direito de colocar em risco a segurança energética” de seu país. A Eslováquia, que também dependente do petróleo russo, tem adotado discurso semelhante nas negociações.
Desde o início da guerra, a União Europeia já destinou cerca de 229 bilhões de dólares em ajuda financeira à Ucrânia e aprovou sucessivas rodadas de sanções contra o governo de Vladimir Putin. Para a maioria dos líderes do bloco, elevar o custo econômico do conflito é a forma mais eficaz de pressionar Moscou a negociar.
Apesar do revés diplomático, líderes europeus devem viajar a Kiev nesta terça-feira em gesto simbólico de apoio.






