Com infiltração e resgate em hotel, Austrália concede visto a jogadoras do Irã após protesto
Atletas da seleção se recusaram a cantar hino nacional iraniano, levantando temores de retaliação por parte da ditadura dos aiatolás
Cinco jogadoras da Seleção Feminina de Futebol do Irã receberam vistos humanitários da Austrália, informou o governo em Camberra nesta terça-feira, 10. A concessão ocorre em meio à crescente preocupação com o destino das atletas, que se recusaram a cantar o hino iraniano durante a partida contra a Coreia do Sul pela Copa da Ásia em protesto silencioso contra a ditadura dos aiatolás. Outras duas atletas também manifestaram interesse em permanecer, embora ainda não haja confirmação oficial.
De acordo com o ministro da Imigração, Tony Burke, as jogadoras contempladas são: Fatemeh Pasandideh, Zahra Ghanbari, Zhara Sarbali, Atefeh Ramazanzadeh e Mona Hamoudi. “Elas querem deixar claro que não são ativistas políticas. São atletas que desejam ficar a salvo”, disse ele, afirmando que o quinteto já “foi transferido para um local seguro” pela polícia australiana.
O processo para que as atletas tivessem acesso ao asilo humanitário foi complicado. Segundo informações da emissora SBS News, as jogadoras eram acompanhadas em todos os momentos por agentes de segurança iranianos. Uma vez que elas não podiam se movimentar dentro do hotel sem escolta, Camberra providenciou que um policial se infiltrasse no local para criar “o máximo de oportunidades” para que as mulheres obtivessem ajuda.
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Como resultado, Burke anunciou na segunda 9 que cinco das jogadoras manifestaram desejo de permanecer na Austrália. As atletas foram retiradas do hotel no mesmo dia, sendo levadas a um local seguro onde se encontraram com o ministro e tiveram os vistos aprovados. De acordo com a emissora britânica BBC, foi possível ver alguns de seus seguranças correndo pelo hotel tentando localizá-las após a fuga.
“Digo a outras integrantes da equipe que a mesma oportunidade existe”, declarou o titular do Turismo, afirmando que as jogadoras foram acolhidas pela população da Austrália. “Mas percebemos que elas estão em uma situação extremamente difícil”, completou, externalizando o receio com a reação das autoridades iranianas após o protesto feito na partida contra a Coreia do Sul.
Segundo informações da emissora australiana ABC, pelo menos outras duas jogadoras optaram por permanecer no país nesta terça, momentos antes da seleção partir para Kuala Lumpur, na Malásia, após sua eliminação na Copa da Ásia. A permanência ocorre após tumultos no Aeroporto Internacional de Sydney, com torcedores australianos tentando impedir a delegação iraniana de partir. Burke afirmou que mais informações serão fornecidas na quarta-feira, 11.
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Protesto e repercussões
A Seleção Iraniana de Futebol Feminino desembarcou na Austrália no final de fevereiro para a disputa da Copa da Ásia, um torneio quadrienal semelhante à Copa América e à Eurocopa. Sua primeira partida no torneio, contra a seleção sul-coreana, ocorreu no dia 2 de março e marcou o primeiro evento de uma equipe nacional do Irã desde o início do conflito contra a coalizão EUA-Israel.
O jogo foi antecedido por questionamentos sobre a influência da guerra no campeonato. Quando as jogadoras entraram no gramado, tais dúvidas ficaram ainda mais latentes. No momento em que o hino nacional do Irã começou a ecoar no Cbus Super Stadium, em Gold Coast, elas se uniram em um aparente protesto, recusando-se a cantar.
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A repercussão foi imediata, com críticos no Irã acusando as jogadoras de serem “traidoras em tempos de guerra” e pressionando por uma punição severa. Embora as atletas tenham cantado o hino nas duas partidas seguintes, contra Austrália e Filipinas, muitos apontaram que isso pode ter sido feito sob coerção dos agentes do governo que acompanhavam a delegação.
O cenário gerou comoção internacional, com muitos manifestando preocupação em relação a como as atletas seriam tratadas ao retornar ao Irã. Nesta terça, dezenas de torcedores se reuniram no Aeroporto de Sydney, em uma tentativa mal-sucedida de impedir que as iranianas, já eliminadas da Copa da Ásia, retornassem ao seu país.





