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Cilia Flores: quem é a ‘primeira-combatente’ e poderosa mulher de Maduro detida pelos EUA

Ela construiu carreira paralela à de Maduro, sob a asa de Hugo Chávez. Além de ser alvo de sanções, seus sobrinhos são acusados de tráfico de drogas

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jan 2026, 20h06 • Atualizado em 4 jan 2026, 10h00
  • O anúncio da captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, pelas Forças Armadas americanas neste sábado, 3, colocou em destaque sua esposa, Cilia Flores, que também foi detida pelos Estados Unidos.

    Segundo reportagem da emissora americana CNN, Maduro e Cilia, 69 anos, foram arrastados do quarto em que estavam por militares americanos durante a madrugada. À agência de notícias The Associated Press, o líder do partido governista venezuelano, Nahum Fernández, disse que ambos estavam na residência dentro do complexo militar do Forte Tiuana. Os dois chegaram a Nova York nesta noite, onde devem enfrentar acusações de conspiração e narcotráfico.

    Cilia é considerada uma figura poderosa do chavismo e muito mais que uma primeira-dama. Ela construiu a própria carreira política, paralela à do marido, de quem recebeu, em 2013, o apelido de “primeira-combatente”.

    “Ela não será a primeira-dama porque esse é um conceito reservado aos ricos”, declarou a apoiadores, acrescentando que sua esposa não seria uma figura de “segunda classe”. Talvez por isso, em 2018, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções contra ela, como parte de uma operação para atingir o círculo íntimo do líder venezuelano. (Na época, ele chamou a ação de “covarde”.)

    Trajetória da “primeira-combatente”

    Cilia nasceu em 1956 na cidade de Tinaquillo, no estado de Cojedes, caçula de seis irmãos, “em um barraco com chão de terra”, segundo Maduro. Quando a menina ainda era pequena, sua família deixou aquela cidade na região centro-norte do país para se mudar para Caracas.

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    Aos 32 anos, ela se formou advogada pela Universidade Santa María, uma instituição privada, especializando-se depois em direito penal e trabalhista. Sua vida, porém, tomou um novo rumo após Hugo Chávez tentar (e fracassar) dar um golpe de Estado em 1992. Cilia integrou a equipe jurídica que defendeu os militares golpistas e acabou se envolvendo com o projeto político deles. Foi durante esse período que conheceu Maduro, que na época atuava como espécie de segurança do caudilho.

    A partir daí, seus destinos se entrelaçaram com o chavismo.

    Em 1993, Cilia fundou o Círculo Bolivariano de Direitos Humanos e ingressou no Movimento Bolivariano MBR-200, fundado por Chávez, ao qual se juntou posteriormente no Movimento Quinta República (MVR) e no Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), onde é membro da direção nacional. Com a eleição de Chávez em 1998, ela também foi alçada ao poder.

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    Em 2000, foi eleita deputada e, após conquistar um segundo mandato, tornou-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional da Venezuela em 2006. Durante seis anos, liderou um parlamento praticamente unipartidário, já que os principais partidos de oposição costumavam boicotar as eleições por não considerarem o governo legítimo, uma posição na qual mostrou-se uma fiel e contumaz colaboradora de Chávez. Mas não foi sem controvérsias: ela chegou a proibir o acesso da imprensa ao plenário e foi acusada de nepotismo por sindicatos que alegaram que ela influenciou a contratação de até 40 pessoas, incluindo vários membros de sua família.

    No início de 2012, Chávez a nomeou Procuradora-Geral da República, cargo que ocupou até março de 2013, ano da morte do presidente. Em julho daquele ano, três meses após a eleição de Maduro, ela tornou-se oficialmente primeira-dama ao se casarem e formalizarem o relacionamento antigo, durante o qual criaram os filhos de matrimônios anteriores: três dela e um dele.

    Nas eleições legislativas de 2015, Cilia foi reeleita para a Assembleia Nacional, onde o chavismo era minoria pela primeira vez em 15 anos. Dois anos depois, deixou o posto e ingressou na controversa e recém-criada Assembleia Nacional Constituinte, que Maduro criou em uma manobra para concentrar poder. Em paralelo, ela estreou um programa de televisão na emissora estatal, chamado “Con Cilia, en familia” (Com Cilia, em Família), e um ano depois, começou a apresentar o programa de rádio “Decisiones” na emissora estatal Radio Miraflores.

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    Acusações contra a família

    Nos últimos anos, o foco da mídia mudou dela para sua família. Em novembro de 2015, um promotor de Nova York indiciou seus sobrinhos, Efraín Antonio Campo Flores e Franqui Francisco Flores de Freitas, por tráfico de drogas. Os dois foram presos no Haiti e entregues pelas autoridades locais à DEA, a agência anti-drogas dos Esrados Unidos. Cilia reagiu acusando Washington “sequestrar” seus sobrinhos. Os jovens acabaram condenados a 18 anos de prisão por tráfico, em dezembro de 2017 — teriam usado o hangar presidencial no aeroporto de Maiquetía, em Caracas, para enviar 800 quilos de cocaína para Honduras, com destino final para território americano.

    Em outubro de 2022, ambos foram libertados mediante um perdão presidencial de Joe Biden, parte de um acordo segundo o qual Maduro concordou em libertar sete americanos presos na Venezuela.

    A situação para Cilia e sua família voltou a ficar complicada com o retorno de Trump à Casa Branca. Em dezembro, o presidente dos Estados Unidos impôs sanções aos dois sobrinhos que Biden havia libertado, bem como a Carlos Erik Malpica Flores, outro sobrinho que ocupou cargos importantes no governo Maduro, incluindo o de Tesoureiro Nacional e vice-presidente da PDVSA, a estatal de petróleo.

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