China quer maior cooperação de defesa com Rússia após ameaças dos EUA
Ministros conversaram nesta terça-feira sobre 'mecanismos de intercâmbio' para conter 'riscos e desafios'
O ministro da Defesa chinês, Dong Jun, disse ao seu homólogo russo nesta terça-feira, 27, que a China está disposta a reforçar a coordenação estratégica com a Rússia e a melhorar conjuntamente a sua capacidade de resposta a “riscos e desafios”, segundo a mídia estatal chinesa.
“A China está disposta a trabalhar com a Rússia para implementar seriamente o importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado, fortalecer a coordenação estratégica, enriquecer a substância da cooperação e melhorar os mecanismos de intercâmbio”, disse Dong em uma videoconferência com o ministro da Defesa russo, Andrei Belousov, de acordo com a agência Xinhua.
A conversa entre os dois ministros e a declaração de Jun acontecem poucos dias depois de o governo de Donald Trump divulgar a nova estratégia de defesa dos Estados Unidos. Em documento estratégico divulgado pelo Pentágono na última sexta-feira, o governo americano deixa claro as novas prioridades das Forças Armadas, com destaque para América Latina e a dissuasão da China.
Embora o novo documento tenha um tom mais moderado em relação a Pequim, orientando que as relações serão abordadas através da “força, não do confronto”, há pontos evidentes de atrito. Sem mencionar especificamente Taiwan, o texto afirma que Washington irá “impedir que qualquer um, incluindo a China, seja capaz de nos dominar ou os nossos aliados”.
“A China e suas Forças Armadas tornaram-se cada vez mais poderosas na região do Indo-Pacífico, a maior e mais dinâmica área de mercado do mundo, com implicações significativas para a segurança, a liberdade e a prosperidade dos próprios americanos. (…) Vamos manter um equilíbrio favorável de poder militar no Indo-Pacífico”, alerta o documento.
A ameaça imposta pela Rússia, por sua vez, é descrita no documento americano como “persistente, mas administrável”, afetando particularmente os membros orientais da Otan, a principal aliança militar ocidental.
Pouco antes de a Rússia lançar sua ofensiva contra território da Ucrânia, em fevereiro de 2022, o presidente russo, Vladimir Putin, e o líder chinês, Xi Jinping, anunciaram uma “parceria sem limites” entre os países. Desde então, porém, Xi se vê sob uma crescente pressão diplomática e econômica para reduzir o apoio da China à Rússia e, consequentemente, à guerra na Ucrânia, além de uma guerra comercial com Washington, que faz com que precise de apoio de outros países para tentar contornar eventuais tarifas.
Em meio às ameaças de Trump, a China passou também a formar parcerias com aliados ocidentais. Na semana passada, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, participou de uma reunião com Xi para definir as relações entre os dois países após quase uma década de laços deteriorados. O encontro ocorre em meio ao crescente atrito de Ottawa com Trump, que já ameaçou anexar o vizinho e aplicou tarifas de 35% sobre produtos canadenses.
Em declaração conjunta divulgada após a reunião, ambos os países afirmaram que “acolheram com satisfação os progressos alcançados na resolução de questões comerciais por meio de consultas”, mostrou uma cópia enviada à agência de notícias estatal chinesa Xinhua. Em comunicado separado, o Canadá anunciou que permitirá a entrada de até 49.000 veículos elétricos (VE) chineses, com uma tarifa de Nação Mais Favorecida de 6,1%.
Até então, uma tarifa geral de 100% era aplicada sobre os veículos, imposta pelo Canadá e os EUA em 2024. O novo acordo, segundo Ottawa, “impulsionará consideráveis novos investimentos chineses em joint ventures” na indústria automobilística canadense. Em contrapartida, o governo de Carney espera que a China reduza suas tarifas sobre sementes de canola canadenses para cerca de 15% até 1º de março – uma queda de 70 pontos percentuais. Outros produtos, como lagostas e ervilhas, também terão taxas reduzidas a partir desta data.





