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China envia ajuda a Caracas e é pressionada pelos EUA a cortar esses laços

Casa Branca prepara sanções secundárias e alerta empresas petrolíferas sobre o risco de manterem negócios com a Venezuela

Um carregamento de  65 toneladas de remédios e material médico vindo da China desembarcou nesta sexta-feira, 29, na Venezuela como “gesto de solidariedade”, informou o vice-presidente venezuelano da área econômica, Tareck el Aissami. A generosidade chinesa foi divulgada no mesmo dia em que o governo americano pediu a Pequim e às empresas petrolíferas de todo o mundo para que cortem os laços econômicos com o regime de Nicolás Maduro.

O enviado especial dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliott Abrams, reuniu-se com o embaixador chinês em Washington, Cui Tiankai. O embaixador americano em Pequim,  Terry Branstad, também teve vários encontros com representantes do país asiático sobre sua relação econômica com Caracas.

“Tivemos conversas com a China sobre suas relações econômicas e financeiras com a Venezuela. E a mensagem principal foi muito simples: vocês têm investimentos, comércio e empréstimos que nunca vão recuperar. Este regime está destruindo a economia da Venezuela”, declarou Abrams.

A China é o principal credor de Maduro. Na última década, o país asiático emprestou quase 62 bilhões de dólares, dos quais 20 bilhões de dólares ainda estão pendentes de pagamento, segundo uma base de dados da Universidade de Boston e do ‘think-tank’ Diálogo Interamericano. O governo Maduro paga com petróleo parte dessa dívida com a China, que tornou-se terceiro maior importador de petróleo venezuelano em 2018, atrás dos Estados Unidos e da Índia.

Segundo Abrams, os Estados Unidos valiam os “meios diplomáticos” para evitar que Maduro continue “roubando” os venezuelanos e alertam as empresas petrolíferas que “mais sanções” deverão ser aplicadas pelo governo americano. O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton informou nesta sexta-feira que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está considerando impor “sanções secundárias” contra companhias de outros países que realizam negócios com a Venezuela para cortar a receita do regime de Maduro.

“Nós estamos nos movendo exatamente nessa direção”, disse Bolton. “Agora, nós estamos até considerando uma série de passos adicionais que poderíamos dar.

Abrams afirmou ter dito a executivos da indústria do petróleo, de transportadoras e de seguradoras já haver muitas sanções contra a Venezuela e que eles devem ter atenção redobrada.

“Em alguns casos, estão violando as sanções. Em outros, elas ainda não foram impostas, mas estão muito perto. Pedimos que não se envolvam nessa rede, que prestem atenção no que fazem. E, certamente, pedimos que deixem de comprar o petróleo que pertence ao povo venezuelano e que o regime (de Maduro) está desperdiçando”, acrescentou o diplomata.

Os EUA eram o principal comprador de petróleo da Venezuela, mas impuseram sanções à companhia estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) em janeiro, de forma que o governo Maduro deixou de receber essas receitas, que tinham se transformado em uma das principais fontes de divisas para os cofres do país.

A decisão americana foi tomada depois que o líder opositor Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino da Venezuela em 23 de janeiro, por considerar ilegítima a reeleição de Maduro em maio de 2018 em um pleito que não foi reconhecido pela oposição e por parte da comunidade internacional. Guaidó é o presidente da Assembleia Nacional, o parlamento venezuelano.

Remédios

A ajuda humanitária chinesa não impediu que o regime de Maduro anunciasse nesta sexta-feira sua autorização para o ingresso dos carregamentos da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV). Mas houve agradecimento especial ao gesto de Pequim de enviar antibióticos, analgésicos, protetores gástricos, remédios contra diabetes e material médico cirúrgico à Venezuela.

“Este é um exercício de soberania, de independência, de dignidade. Estamos vencendo o pretenso sítio e bloqueio empreendido pelo imperialismo americano”, disse o vice-presidente Aissami no aeroporto de Maiquetía. “Agradecemos a Xi Jinping (presidente da China) por este gesto de solidariedade”, acrescentou.

Segundo Assami, esta será a primeira de uma série de carregamentos vindos da China e custeado pelo fundo rotativo criado por ambos países em 2015. A carga de hoje chega em meio à severa crise econômica que assola o país, apesar de contar com as maiores reservas provadas de petróleo no mundo, e em meio aos constantes alertas da oposição, que garante que a Venezuela vive uma crise humanitária complexa.

(Com EFE e Reuters)