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China acusa EUA de ‘bullying’ após acordo sobre petróleo com governo interino da Venezuela

Trump anunciou que Washington vai comprar até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, desviando carga antes destinada a Pequim

Por Amanda Péchy 7 jan 2026, 10h05 • Atualizado em 7 jan 2026, 10h05
  • A China afirmou nesta quarta-feira, 7, que os Estados Unidos praticam “bullying” com a Venezuela ao fazer “uso descarado da força”, depois que o governo do presidente Donald Trump afirmou ter persuadido a Venezuela a desviar exportações de petróleo para Pequim e vender até US$ 2 bilhões do estoque, ou 50 bilhões de barris, para Washington. O acordo está alinhado com o objetivo declarado do republicano de controlar as vastas reservas da nação americana após derrubar o ditador Nicolás Maduro, a quem um tribunal de NY acusa de narcoterrorismo.

    O acordo deve exigir o redirecionamento de cargas destinadas à China, principal compradora da Venezuela, uma barganha que Caracas aceitou para se desfazer de milhões de barris retidos em navios-tanque e armazéns desde novembro devido ao bloqueio naval americano.

    “O uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela e sua exigência de ‘América Primeiro’ quando a Venezuela se desfaz de seus próprios recursos petrolíferos são atos típicos de bullying”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, em uma coletiva de imprensa. “Essas ações violam gravemente o direito internacional, infringem seriamente a soberania da Venezuela e prejudicam gravemente os direitos do povo venezuelano”, acrescentou.

    Pequim importou 389 mil barris por dia de petróleo venezuelano em 2025, cerca de 4% de suas importações marítimas de petróleo bruto. Agora, pode agora recorrer mais ao Irã e à Rússia, outros aliados produtores do combustível.

    China e Rússia denunciaram a operação dos Estados Unidos para capturar Maduro, que foi a maior intervenção de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989, para derrubar Manuel Noriega. Apesar disso, os correligionários do ditador permanecem no poder na Venezuela, onde a presidente interina, Delcy Rodríguez, caminha na corda bamba entre denunciar seu “sequestro” e cooperar com Trump, sob a espada de uma nova invasão.

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    Acordo

    De acordo com o presidente americano, empresas de seu país vão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela sob bloqueio americano, como um primeiro passo de seu plano para reativar o setor em declínio no país sul-americano, apesar de possuir as maiores reservas do mundo.

    “Este petróleo será vendido ao preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”, publicou Trump nas redes na terça-feira. Os preços do petróleo bruto caíram cerca de 1% nos mercados mundiais devido à previsão de aumento da oferta.

    Fontes da petrolífera estatal venezuelana PDVSA disseram à agência de notícias Reuters que as negociações para um acordo de exportação avançaram, embora o governo venezuelano não tenha feito nenhum anúncio oficial.

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