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‘Chega de ameaças’: Groenlândia e Dinamarca reagem a Trump após operação dos EUA na Venezuela

Primeiro-ministro da Groenlândia acusa desrespeito e rejeita qualquer ideia de anexação; Copenhague cobra fim das pressões

Por Ernesto Neves 5 jan 2026, 13h20 • Atualizado em 5 jan 2026, 14h00
  • Copenhague e Nuuk reagiram com dureza às novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de a Groenlândia se tornar parte do território americano.

    O episódio ganhou ainda mais peso político após a recente operação militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro, reacendendo temores na Europa sobre o uso da força para impor interesses estratégicos.

    O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta segunda-feira que “já chega”, em referência às falas e gestos vindos de Washington.

    Em publicação nas redes sociais, ele rejeitou “pressões, insinuações e fantasias de anexação” e ressaltou que o território autônomo dinamarquês está aberto ao diálogo, desde que ele ocorra “pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”.

    As reações ocorreram após Trump reiterar, em declarações a jornalistas a bordo do Air Force One e em entrevista à revista The Atlantic, que os Estados Unidos “precisam da Groenlândia” por razões de segurança nacional. Segundo ele, a Dinamarca não teria capacidade de garantir sozinha a defesa do território, localizado em área estratégica do Ártico e rico em minerais considerados críticos para a indústria de alta tecnologia.

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    O tom das declarações provocou imediata resposta do governo dinamarquês. A primeira-ministra Mette Frederiksen classificou como “absolutamente absurdo” qualquer argumento que sustente a tomada de controle da Groenlândia pelos EUA e pediu que Washington interrompa o que chamou de ameaças a um aliado histórico.

    Ela lembrou que a Dinamarca, e por extensão a Groenlândia, integra a Otan e está coberta pelas garantias de segurança da aliança.

    A crise diplomática foi agravada por uma publicação de Katie Miller, mulher de Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca e um dos principais formuladores das políticas de Trump.

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    Ela divulgou nas redes sociais uma imagem da Groenlândia pintada com as cores da bandeira americana, acompanhada da palavra “SOON” (“em breve”). Nielsen classificou o gesto como “desrespeitoso” e afirmou que “o futuro do país não é decidido por postagens em redes sociais”.

    O embaixador da Dinamarca em Washington, Jesper Moeller Soerensen, reagiu com uma “lembrança amistosa”, afirmando que seu país reforçou de forma significativa a segurança no Ártico e coopera estreitamente com os Estados Unidos nessa área. “Somos aliados próximos e devemos continuar agindo como tal”, escreveu.

    Outros líderes europeus também se manifestaram. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou que apenas a Groenlândia e a Dinamarca podem decidir sobre o futuro do território. Mensagens semelhantes partiram de chefes de governo da Suécia e da Noruega. A França declarou solidariedade a Copenhague e reforçou que fronteiras internacionais não podem ser alteradas pelo uso da força.

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    Nos bastidores, diplomatas europeus admitem que a intervenção americana na Venezuela ampliou o grau de preocupação. A operação, que Trump disse colocar o país sul-americano sob administração dos EUA por tempo indeterminado, é vista como um precedente perigoso em um contexto de disputas geopolíticas por áreas estratégicas e recursos naturais.

    A Groenlândia, embora possua ampla autonomia, segue ligada ao Reino da Dinamarca. Seu governo local tem reiterado que a ilha “não está à venda” e que qualquer decisão sobre seu status político deve respeitar a vontade de sua população, expressa por meios democráticos e amparada por acordos internacionais.

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