Chefe da polícia do Irã libera tiros contra cidadãos em caso de saques durante guerra
Governo iraniano diz adotar medidas para conter 'agitação' nas ruas e no ambiente digital, com apagão de internet
O chefe da polícia iraniana, Ahmed Reza Radan, disse ter dado ordens para que agentes de segurança disparem contra qualquer ladrão em atividade no país durante o período de guerra contra Israel e Estados Unidos. A declaração foi dada nesta sexta-feira, 6, uma semana após o início do conflito entre a coalizão e o Irã. Buscando evitar um cenário de instabilidade após a perda do líder supremo Ali Khamenei, Teerã tem tomado medidas para garantir a manutenção da ordem local.
“Dado que estamos em uma situação de guerra, dei ordens para atirar contra possíveis ladrões”, afirmou Radan em declaração à emissora estatal iraniana. Segundo ele, os saqueadores estão sendo “rapidamente neutralizados”.
Segundo as autoridades, medidas também estão sendo tomadas para evitar distúrbios no ambiente digital. “Não permitiremos que um grupo de agentes pagos mine a unidade que o povo conquistou com o sangue de milhares de mártires, difundindo agitação”, advertiu o chefe da polícia. Anteriormente, Teerã já havia impulsionado esforços para aumentar as restrições às redes sociais, afirmando que as plataformas eram utilizadas para “organizar e orientar atividades hostis”.
+ Israel bombardeia antigo bunker secreto de Khamenei no Irã; veja vídeo
O Irã determinou um apagão total da internet em 8 e 9 de janeiro, durante uma onda de protestos que varria o país. A suspensão da conectividade ocorreu em um momento no qual diferentes veículos internacionais e organizações de direitos humanos relatavam números expressivos de manifestantes mortos, feridos e detidos. Na ocasião, o chefe de inteligência da Guarda Revolucionária, Majid Khademi, declarou que as medidas foram necessárias para evitar que agentes externos incentivassem “terrorismo urbano” e minassem a confiança pública no governo.
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã teve início no sábado 28, quando os aliados promoveram um ataque massivo contra diversas regiões no território iraniano. Uma das ofensivas resultou na morte do aiatolá Khamenei e de diversas figuras na cúpula militar da nação persa. Em retaliação, Teerã bombardeou pelo menos nove países diferentes no Oriente Médio, buscando atingir bases militares e embaixadas americanas na região.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o conflito resultou na morte de mais de 1.000 iranianos até o momento, além de provocar um êxodo de pelo menos 100 mil moradores da capital, Teerã, que vem sendo alvo constante de bombardeios. Vítimas fatais também foram registradas no Líbano, onde ataques de Israel contra o grupo Hezbollah mataram 77 pessoas.
Em Israel, pelo menos dez pessoas perderam a vida devido a disparos iranianos, enquanto seis soldados americanos pereceram na operação batizada “Fúria Épica”.





