Charles III é confrontado sobre relação do irmão Andrew com Epstein durante visita oficial
Em passagem pelo norte da Inglaterra, cidadão gritou com o rei, que garantiu apoio à investigação policial após novas revelações em documentos
O Rei Charles III foi confrontado por um súdito sobre a relação entre Jeffrey Epstein e Andrew Mountbatten-Windsor, irmão de quem o monarca retirou os títulos no ano passado devido ao enrosco, durante uma visita oficial à cidade de Clitheroe, no norte da Inglaterra, nesta segunda-feira, 9.
“Charles, há quanto tempo você sabe sobre Andrew e Epstein?”, gritou o homem, que logo foi repreendido por outras pessoas.
O rei não reagiu à pergunta, mas o Palácio de Buckingham afirmou na segunda-feira que Charles está pronto para “apoiar” a polícia do Reino Unido a investigar a ligação entre Andrew e Epstein, que abalou a monarquia e a política britânica nas últimas semanas.
“O Rei deixou clara, em palavras e através de ações sem precedentes, sua profunda preocupação com as alegações que continuam a vir à tona em relação à conduta do Sr. Mountbatten-Windsor”, disse o palácio em um comunicado. “Embora as reivindicações específicas em questão sejam para o Sr. Mountbatten-Windsor abordar, se formos questionados pela Polícia de Thames Valley, estamos prontos para apoiá-los, como seria de se esperar.”
Na segunda-feira, o príncipe herdeiro da Inglaterra, William, e sua esposa, a princesa Kate, disseram estar “profundamente preocupados” com as novas revelações sobre o caso Epstein, segundo comunicado divulgado pelo Palácio de Kensington.
“Posso confirmar que o príncipe e a princesa estão profundamente preocupados com as revelações contínuas”, disse o porta-voz do palácio, apontando que “seus pensamentos permanecem voltados para as vítimas”.
Novas informações
Divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos no dia 30 de janeiro, os novos documentos do caso Epstein dão mais profundidade à relação entre o predador sexual e Andrew, que perdeu o título de príncipe no ano passado devido ao enrosco. Os registros revelaram e-mails trocados pela dupla e mostram uma polêmica foto do Sr. Windsor ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão.
O relacionamento com Epstein custou a Andrew o seu papel na família real, com seu irmão, o rei Charles III, decidindo privá-lo dos títulos nobres e de sua residência na propriedade Windsor.
O escândalo também afetou o governo do premiê Keir Starmer, que balança no cargo devido às perigosas ligações do diplomata indicado para chefiar a embaixada nos Estados Unidos, Peter Mandelson, com o financista americano. De acordo com a imprensa britânica, ele sofre pressão tanto da oposição quanto de alguns correligionários do Partido Trabalhista para renunciar.
Elo problemático
O vínculo entre Andrew e Epstein já era conhecido do grande público há anos, mas a nova leva de documentos trouxe os holofotes de volta ao ex-príncipe. Entre milhões de arquivos, o lote traz imagens que mostram o ex-nobre ajoelhado sobre uma mulher, cujo rosto foi ocultado. Não há informações sobre o contexto em que as fotos foram tiradas.
Em outro arquivo, um e-mail parece confirmar a autenticidade de uma notória foto do ex-príncipe com o braço nos ombros de Virginia Giuffre, uma das mais conhecidas vítimas de Epstein que alegou ter sido abusada por Andrew na adolescência. O Sr. Windsor sempre negou as acusações, embora tenha chegado a um acordo judicial em 2022 para encerrar um processo movido por ela. Giuffre cometeu suicídio em abril passado, pouco antes do lançamento de uma autobiografia que escreveu sobre os abusos e sua luta por justiça.
Segundo informações da agência de notícias AFP, o lote também traz documentos que sugerem a possibilidade de Andrew ter transmitido informações confidenciais ao criminoso sexual quando era representante especial do Reino Unido para o comércio internacional. Em comunicado, a polícia britânica disse estar examinando as suspeitas.
Em um e-mail datado de 30 de novembro de 2010, Andrew enviou relatórios confidenciais sobre visitas ao Vietnã, Hong Kong, China e Singapura a Epstein. Os relatórios teriam sido enviados cinco minutos após o ex-príncipe recebê-los de seu assistente. Um registro posterior, de outubro do mesmo ano, mostra o Sr. Windsor dando informações ao criminoso sexual sobre as viagens que faria até esses destinos.





