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Chanceler chora e prega diplomacia com ‘sangue nas veias’

Ernesto Araújo diz que não recuará em sua política externa diante do primeiro obstáculo e que não a manterá em cima do muro

Em discurso emocionado na formatura da turma Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, do Instituto Rio Branco (IRB), o chanceler Ernesto Araújo chorou ao falar dos sacrifícios de sua família e convocou os diplomatas a demonstrarem ter “sangue nas veias”. Na cerimônia, estavam presentes o presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente, general Hamilton Mourão, considerado o ponto de inflexão nas ações de política externa.

“Diplomacia não significa ficar em cima do muro. Não é ver os grandes embates e aderir ao vencedor”, disse o ministro. “Diplomacia precisa ter sangue nas veias.”

O ministro das Relações Exteriores afirmou que sua política externa “não recuará diante do primeiro obstáculo e da primeira crítica”. De fato, Araújo já passou por alguns revezes e continua adiante em sua cruzada contra a “contaminação do marxismo cultural”. Entre os obstáculos que já enfrentou está o recuo na transferência da embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

Araújo lamentou, porém, haver no Brasil muita gente “torcendo pela tirania apenas para ver este governo se dar mal”. “Não há de ser nada.”

Ao comentar sobre os esforços de sua família, o ministro agradeceu o apoio de sua mulher, a diplomata Maria Eduarda de Seixas Corrêa, e disse aos formandos que o apoio dos seus será fundamental para o progresso de suas carreiras. “Nem tudo serão rosas para vocês.”

Concurso

Durante o almoço para os formandos, Bolsonaro aliviou o Itamaraty ao anunciar a liberação de verbas para a realização de concurso para novos diplomatas neste ano. No início do ano, ele havia determinado a suspensão de todos processos seletivos para o serviço público federal – e o Ministério da Economia vinha cumprindo as ordens.

A turma de formandos deste ano homenageou a mulher do embaixador e escritor João Guimarães Rosa, Aracy de Carvalho (1908-2011). Funcionária do Consulado do Brasil em Hamburgo no final da década de 1930, ela e o então cônsul brasileiro driblaram ordens do governo de Getúlio Vargas e concederam passaportes a centenas de judeus que fugiam das perseguições nazistas.  É conhecida como o “Anjo de Hamburgo” e recebeu do governo de Israel o título de “Justa entre as Nações”.