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Centro cultural Kennedy Center é renomeado para homenagear Trump

Conselho escolhido pelo presidente aprovou mudança na denominação do principal centro cultural de Washington

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 dez 2025, 14h50 • Atualizado em 19 dez 2025, 15h11
  • O Kennedy Center, principal centro de artes cênicas dos Estados Unidos, adotou oficialmente o nome do presidente Donald Trump nesta sexta-feira, 19, após decisão do conselho de curadores anunciada na véspera. A mudança rebatiza a instituição como “Centro Memorial Donald J. Trump e John F. Kennedy para as Artes Cênicas”, o que provocou reação imediata de democratas, juristas e integrantes do clã Kennedy, que questionam a legalidade da medida.

    Segundo a administração da instituição cultural, o conselho — hoje composto majoritariamente por aliados indicados por Trump — aprovou a alteração de forma unânime. A decisão foi divulgada pela Casa Branca e rapidamente incorporada à identidade visual da instituição, com mudanças no site oficial e em materiais de comunicação, antes mesmo de qualquer discussão formal no Congresso, responsável por criar por lei o centro em 1964, pouco depois do assassinato de John F. Kennedy (1917-1963).

    Na época, o Kennedy Center foi concebido como memorial permanente ao ex-presidente democrata. Por essa razão, especialistas em direito constitucional afirmam que apenas o Legislativo teria autoridade para alterar oficialmente sua denominação, o que torna a decisão do conselho juridicamente questionável.

    A iniciativa também gerou reação forte da família Kennedy. Maria Shriver, sobrinha de JFK, classificou a mudança como “incompreensível” e “inaceitável” em uma publicação nas redes sociais, lembrando as ações do tio para aproximar as artes dos americanos comuns. Seu irmão, Tim Shriver, foi ainda mais duro e descreveu a alteração como um “insulto a um grande presidente”.

    Batalha na cultura

    A guinada ocorre em meio ao envolvimento crescente de Trump com a instituição. Durante seu primeiro mandato, o republicano manteve distância do Kennedy Center, mas desde que retornou à Casa Branca, em janeiro, passou a interferir diretamente em sua gestão, substituindo por aliados próximos os conselheiros indicados por democratas. Ele também foi eleito presidente do conselho.

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    Trump ainda criticou publicamente a programação da instituição (“progressista demais”), além de apontar problemas na estrutura física do edifício. Com apoio do Congresso, hoje sob controle republicano, o presidente garantiu mais de US$ 250 milhões para um amplo pacote de reformas, que inclui pintura, modernização das salas e troca das poltronas dos teatros.

    A mudança de postura se refletiu também na agenda presidencial. Trump passou a frequentar eventos do Kennedy Center que havia evitado em seu primeiro mandato e chegou a apresentar a edição mais recente do Kennedy Center Honors, principal premiação da instituição.

    A Casa Branca também anunciou em agosto uma ampla revisão do acervo e exposições dos museus Smithsonian, com intuito de definir o que deve ou não ser exibido de acordo com as diretivas de Trump. A iniciativa, escreveu um trio de assessores do governo, “visa garantir o alinhamento com a diretriz do presidente de celebrar o excepcionalismo americano, remover narrativas divisionistas ou partidárias e restaurar a confiança em nossas instituições culturais compartilhadas”.

    No início deste ano, Trump assinou um decreto acusando as instituições Smithsonian de terem “caído sob a influência de uma ideologia divisionista e centrada na raça” que “promoveu narrativas que retratam os valores americanos e ocidentais como inerentemente prejudiciais e opressivos”.

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