Centro cultural Kennedy Center é renomeado para homenagear Trump
Conselho escolhido pelo presidente aprovou mudança na denominação do principal centro cultural de Washington
O Kennedy Center, principal centro de artes cênicas dos Estados Unidos, adotou oficialmente o nome do presidente Donald Trump nesta sexta-feira, 19, após decisão do conselho de curadores anunciada na véspera. A mudança rebatiza a instituição como “Centro Memorial Donald J. Trump e John F. Kennedy para as Artes Cênicas”, o que provocou reação imediata de democratas, juristas e integrantes do clã Kennedy, que questionam a legalidade da medida.
Segundo a administração da instituição cultural, o conselho — hoje composto majoritariamente por aliados indicados por Trump — aprovou a alteração de forma unânime. A decisão foi divulgada pela Casa Branca e rapidamente incorporada à identidade visual da instituição, com mudanças no site oficial e em materiais de comunicação, antes mesmo de qualquer discussão formal no Congresso, responsável por criar por lei o centro em 1964, pouco depois do assassinato de John F. Kennedy (1917-1963).
Na época, o Kennedy Center foi concebido como memorial permanente ao ex-presidente democrata. Por essa razão, especialistas em direito constitucional afirmam que apenas o Legislativo teria autoridade para alterar oficialmente sua denominação, o que torna a decisão do conselho juridicamente questionável.
A iniciativa também gerou reação forte da família Kennedy. Maria Shriver, sobrinha de JFK, classificou a mudança como “incompreensível” e “inaceitável” em uma publicação nas redes sociais, lembrando as ações do tio para aproximar as artes dos americanos comuns. Seu irmão, Tim Shriver, foi ainda mais duro e descreveu a alteração como um “insulto a um grande presidente”.
Batalha na cultura
A guinada ocorre em meio ao envolvimento crescente de Trump com a instituição. Durante seu primeiro mandato, o republicano manteve distância do Kennedy Center, mas desde que retornou à Casa Branca, em janeiro, passou a interferir diretamente em sua gestão, substituindo por aliados próximos os conselheiros indicados por democratas. Ele também foi eleito presidente do conselho.
Trump ainda criticou publicamente a programação da instituição (“progressista demais”), além de apontar problemas na estrutura física do edifício. Com apoio do Congresso, hoje sob controle republicano, o presidente garantiu mais de US$ 250 milhões para um amplo pacote de reformas, que inclui pintura, modernização das salas e troca das poltronas dos teatros.
A mudança de postura se refletiu também na agenda presidencial. Trump passou a frequentar eventos do Kennedy Center que havia evitado em seu primeiro mandato e chegou a apresentar a edição mais recente do Kennedy Center Honors, principal premiação da instituição.
A Casa Branca também anunciou em agosto uma ampla revisão do acervo e exposições dos museus Smithsonian, com intuito de definir o que deve ou não ser exibido de acordo com as diretivas de Trump. A iniciativa, escreveu um trio de assessores do governo, “visa garantir o alinhamento com a diretriz do presidente de celebrar o excepcionalismo americano, remover narrativas divisionistas ou partidárias e restaurar a confiança em nossas instituições culturais compartilhadas”.
No início deste ano, Trump assinou um decreto acusando as instituições Smithsonian de terem “caído sob a influência de uma ideologia divisionista e centrada na raça” que “promoveu narrativas que retratam os valores americanos e ocidentais como inerentemente prejudiciais e opressivos”.





