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Caso Epstein: Bill e Hillary Clinton não vão a depoimento e Câmara dos EUA abre denúncia

O casal não depôs sobre o criminoso sexual, desafiando intimações e acusando comitê de tentativa de intimidação

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jan 2026, 11h46 • Atualizado em 22 jan 2026, 12h23
  • A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou duas resoluções, na quarta-feira 21, que recomendam que o plenário declare o ex-presidente Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, em desacato criminal ao Congresso, porque o casal faltou a um depoimento no âmbito da investigação sobre as conexões entre americanos poderosos e Jeffrey Epstein. O financista condenado por chefiar uma rede de exploração de mulheres, muitas delas menores de idade, e que depois cometeu suicídio, voltou aos holofotes após a campanha para que o governo divulgasse todos os documentos ligados ao caso.

    O crime de desacato pode levar a multas de até US$ 100 mil (aproximadamente R$ 532 mil) ou a um ano de prisão. O casal Clinton não compareceu a audiências a portas fechadas no Capitólio, em Washington, relacionadas ao caso de Epstein. Com a recomendação, os deputados deram sinal verde para que o plenário decida se encaminha o caso ao Departamento de Justiça, responsável pela palavra final sobre uma eventual acusação criminal.

    O presidente do comitê, o republicano James Comer, afirmou que ambos desafiaram deliberadamente intimações legais e bipartidárias. “O comitê enviou uma mensagem clara: ninguém está acima da lei, e a Justiça deve ser aplicada de forma igual”, disse em nota. “Os Clinton eram legalmente obrigados a comparecer e, em vez disso, responderam às nossas negociações de boa-fé com desafio, atraso e obstrução. O comitê está tomando as medidas necessárias para preservar a autoridade investigativa do Congresso e agora pede que o plenário aja rapidamente para responsabilizá-los”, completou.

    Após faltarem à audiência, os Clinton publicaram uma carta endereçada a Comer, afirmando já ter tentado fornecer as “poucas informações” que possuíam para auxiliar na investigação e acusando o republicano de tentar desviar o foco das falhas do governo de Donald Trump em torno do caso Epstein. O ocupante do Salão Oval foi amigo do financista por quase 15 anos antes de uma desavença, que ocorreu antes da sua primeira prisão, por abuso sexual de menor, em 2006.

    “Não há explicação plausível para o que o senhor (Comer) está fazendo além de política partidária”, dispararam. “O senhor intimou oito pessoas além de nós. Dispensou sete dessas oito sem que nenhuma delas dissesse uma única palavra. Não fez qualquer tentativa de obrigá-las a comparecer. Desde que iniciou sua investigação no ano passado, o senhor entrevistou um total de apenas duas pessoas”, continuaram na carta.

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    Em julho de 2025, o comitê aprovou por unanimidade a intimação de dez pessoas, incluindo Bill e Hillary Clinton, para depor sobre os crimes de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, ex-namorada do abusador e sua co-conspiradora. Os depoimentos do casal foram remarcados várias vezes, mas nenhum dos dois compareceu às intimações finais.

    O governo Trump está sob pressão depois que o Departamento de Justiça divulgou, em dezembro, uma pequena parte dos arquivos do caso Epstein, um mês após o prazo legal ter expirado. Figura da alta sociedade nova-iorquina, ele é acusado de ter explorado sexualmente mais de mil mulheres e meninas. O caso gerou desgaste para a Casa Branca, que tem sido acusada (não apenas pelos Clinton) de tentar desviar a atenção realizando investigações e campanhas difamatórias contra democratas que acusa de terem participado da rede de Epstein.

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