Canadá e França mandam recado a Trump com abertura de consulados na Groenlândia
Criação de postos diplomáticos ocorre após ameaçar do presidente dos EUA sobre anexar a ilha ártica, um território da aliada Dinamarca
O Canadá e a França vão inaugurar consulados em Nuuk, a capital da Groenlândia, nesta sexta-feira, 6, em demonstração de apoio à Dinamarca e à ilha ártica, após sucessivas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre anexar o território semiautônomo dinamarquês.
A ministra das Relações Exteriores canadense, Anita Anand, viajou a Nuuk para inaugurar a missão diplomática, que, segundo autoridades do país, também pode ajudar a impulsionar a cooperação em questões como a crise climática e os direitos dos inuítes, um povo originário local. Ela foi acompanhada pela governadora-geral para Assuntos Indígenas do Canadá, Mary Simon.
Anand se reuniu com seu homólogo dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, na Dinamarca, na quinta-feira 5, e publicou nas redes sociais que “como nações árticas, o Canadá e o Reino da Dinamarca estão trabalhando juntos para fortalecer a estabilidade, a segurança e a cooperação em toda a região”.
O Ministério das Relações Exteriores da França, enquanto isso, informou que Jean-Noël Poirier assumirá o cargo de cônsul-geral do país, tornando-se o primeiro país da União Europeia a estabelecer um consulado-geral na Groenlândia.
Poirier terá a “responsabilidade de trabalhar para aprofundar os projetos de cooperação existentes com a Groenlândia nas áreas cultural, científica e econômica, além de fortalecer os laços políticos com as autoridades locais”, afirmou o ministério. O Canadá havia prometido abrir um consulado na Groenlândia em 2024 – antes da recente saga sobre uma possível anexação – e a inauguração, antes prevista para novembro, foi adiada devido ao mau tempo.
A França, por sua vez, afirmou que a decisão de abrir seu posto diplomático foi tomada durante a visita de seu presidente, Emmanuel Macron, ao território em junho.
Ameaças de anexação
Trump anunciou em janeiro que imporia novas tarifas à Dinamarca e a outros sete países europeus que se opunham aos seus apelos por uma anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos, mas abandonou abruptamente suas ameaças após afirmar que havia alcançado uma “estrutura” para um acordo sobre o acesso ao território rico em minérios com a ajuda do chefe da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte. Poucos detalhes desse acordo foram divulgados.
Na semana passada, começaram as negociações técnicas entre os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia para elaborar um acordo de segurança no Ártico. Os ministros das Relações Exteriores dinamarquês e groenlandês concordaram em criar um grupo de trabalho durante uma reunião com o vice-presidente americano, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, antes de Trump ameaçar com as tarifas.






