Os flagrantes de cidadãos se banhando em trechos do Rio Sena ou na fonte ao lado da Torre Eiffel remetem a um momento de empolgação típico da entrada do verão no Hemisfério Norte. Mas não se engane: essas cenas, que se tornaram comuns na semana passada em Paris, são um testemunho assustador do sufoco climático sem precedentes que se abate sobre a França e diversos outros países da Europa. A estação ensolarada não veio quente, mas fervendo: na terça-feira 23, os termômetros marcaram um pico de 44,3 graus no interior do país, tornando-se o dia mais quente já registrado na história da nação (as medições oficiais se iniciaram em 1947). A sequência de dias escaldantes, acima dos 40 graus, fez Paris se transformar para sobreviver. Os trilhos da rede ferroviária superaqueceram e dilataram, forçando a redução da velocidade e o cancelamento de serviços essenciais. O calor também provocou o fechamento emergencial de atrações como o Museu do Louvre e a Torre Eiffel. As autoridades liberaram o uso das águas do Sena e do Canal Saint-Martin para milhares de pessoas que buscam alívio — uma prática que, de resto, já deixou um saldo trágico de quarenta afogamentos no país, decorrentes da busca por banhos em áreas consideradas perigosas. O mesmo cenário de temperaturas altíssimas e desespero se repete em capitais como Londres. Cientistas afirmam que o calorão europeu reflete um “novo normal” climático, com os termômetros até 4 graus mais altos que o usual.
Publicado em VEJA de 26 de junho de 2026, edição nº 3001







