Brasileiros estão entre mortos em frente de combate no leste da Ucrânia, diz agência
Grupo faria parte da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, braço das Forças Armadas da Ucrânia que reúne voluntários estrangeiros
Autoridades da Ucrânia identificaram um grupo de cidadãos do Brasil entre soldados mortos em uma frente de combate no leste ucraniano, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira, 11, pela agência de notícias russa RIA Novosti.
Os brasileiros, segundo a imprensa russa, seriam parte da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, braço das Forças Armadas da Ucrânia que reúne voluntários estrangeiros. O grupo, que não teve a identidade revelada, teria morrido durante combate perto de Kupiansk, uma área atualmente controlada por forças da Rússia.
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No ano passado, o ministério da Defesa da Ucrânia lançou uma iniciativa para convocar sul-americanos, entre eles brasileiros, a se alistarem no Exército do país. Em um vídeo de anúncio, o governo ucraniano informa que “recentemente, o número de voluntários de diferentes países aumentou 2,5 vezes” e que fornece “tudo o que precisam”, incluindo comida, vestuário, equipamento de proteção, armas e dinheiro.
A gravação define o alistamento como “uma oportunidade única de conseguir uma profissão que trará rendimentos para o resto da sua vida”. No site, são estabelecidos os requisitos: ter entre 18 e 60 anos, não ter antecedentes criminais, não ter doenças crônicas, estar em bom estado físico e conseguir entrada legal para o país — ao lado, o texto informa que “as Forças Armadas da Ucrânia não fornecem vistos (se necessário) e não cobrem custos de viagem”.
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Um balanço de autoridades ucranianas enviado ao governo brasileiro afirma que ao menos 22 brasileiros morreram durante a guerra no país, desencadeada em fevereiro de 2022 pela invasão da Rússia ao país vizinho. É difícil, no entanto, ter acesso a um número preciso de quantos brasileiros foram recrutados e estão nos campos de batalha pelo lado ucraniano.
Na semana passada, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, revelou pela primeira vez em mais de um ano o número de soldados mortos pela Rússia durante a guerra, que completará quatro anos no final deste mês. Em entrevista à emissora France 2 na quarta-feira 4, ele afirmou que 55 mil militares, entre recrutas e profissionais, já perderam a vida em combate.
Ao longo do conflito, Kiev e Moscou publicaram regularmente estimativas das baixas do lado inimigo, mas relutaram em detalhar as suas próprias, já que as informações são extremamente sensíveis e afetam o moral no front. No entanto, uma análise independente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington, publicada em 27 de janeiro, estimou em 1,2 milhão o número de soldados russos mortos, enquanto a Ucrânia teria perdido 600 mil (mais de dez vezes mais do que admitiu Zelensky).
Em meio ao cenário intensificado de alistamento, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil publicou nota oficial no ano passado desaconselhando a ida de brasileiros a zonas de conflito. O texto alerta para situações em que voluntários, depois de alistados, enfrentam dificuldades para interromper a participação nos combates e que a assistência consular pode ser severamente limitada por contratos firmados com forças estrangeiras.
“Nesse sentido, recomenda-se fortemente que convites ou ofertas de trabalho ou de participação em exércitos estrangeiros sejam recusadas”, recomendou o Ministério, deixando claro que não há obrigatoriedade do poder público em custear o retorno de cidadãos no exterior.
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Além disso, brasileiros alistados em Exércitos estrangeiros podem estar sujeitos à persecução penal, tanto em cortes internacionais quanto no Brasil. No documento, a pasta cita o artigo 7º do Código Penal, que prevê a aplicação da lei brasileira a ilícitos cometidos por cidadãos nacionais no exterior quando houver obrigação internacional do país em prevenir ou impedir tais condutas.





