‘Bombas gravitacionais de precisão’: o que são as armas que os EUA prometem usar contra o Irã
Washington diz que possui estoque 'praticamente ilimitado' do armamento e afirma que entrou em nova fase da ofensiva, atacando território profundo
Os Estados Unidos anunciaram que pretendem intensificar os ataques contra o Irã com o uso de bombas gravitacionais de precisão, um tipo de armamento considerado mais simples que mísseis sofisticados, mas altamente eficaz para destruir alvos estratégicos.
A estratégia foi confirmada pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, na quarta-feira, 4. Segundo ele, o país possui um “estoque praticamente ilimitado” desse tipo de munição e pretende empregá-la nas próximas fases da ofensiva.
A mobilização ocorre enquanto Washington amplia sua campanha militar na região — batizada de Operação Fúria Épica — com o envio de novos caças, bombardeiros e navios de guerra ao Oriente Médio.
O que são bombas gravitacionais
As armas de nomenclatura intimidante são, na verdade, o modelo mais antigo de bombardeio aéreo. Trata-se de dispositivos lançados diretamente de aeronaves, que caem em direção ao alvo utilizando a força da gravidade e a velocidade do avião.
Apesar da simplicidade do princípio, versões modernas podem alcançar alto grau de precisão graças a sistemas de orientação que corrigem a trajetória durante a queda.
Hoje, muitas dessas bombas recebem “kits de guiagem” — mais baratos e fáceis de produzir do que mísseis guiados de longo alcance —, que as transformam em munições de precisão. O sistema mais conhecido é o Joint Direct Attack Munition (JDAM), desenvolvido pela Boeing. O kit adiciona sensores de GPS ou laser ao equipamento, bem como superfícies de controle na cauda e sistemas de navegação.
Com isso, uma bomba convencional passa a corrigir sua trajetória após o lançamento, aumentando significativamente a chance de atingir o alvo.
Por que os EUA decidiram usá-las
Segundo autoridades americanas, o uso de bombas gravitacionais ajuda a preservar estoques de armamentos mais complexos e caros, como o míssil de cruzeiro AGM‑158 JASSM.
Nos primeiros dias da guerra, os Estados Unidos recorreram principalmente a armas de longo alcance, capazes de atingir alvos sem que as aeronaves precisassem penetrar profundamente no espaço aéreo iraniano. Com o avanço da campanha, no entanto, a estratégia passou a mudar.
Para que esse tipo de bomba seja utilizado com segurança, um fator é considerado decisivo: a superioridade aérea. Como a aeronave precisa se aproximar mais do alvo, ela fica mais exposta a sistemas de defesa antiaérea ou a caças inimigos. Por isso, as bombas gravitacionais costumam ser empregadas quando um país já domina o espaço aéreo adversário.
O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Dan Caine, afirmou que a ofensiva entrou em uma nova fase. “Estamos mudando de grandes ataques com mísseis de longo alcance para ataques de precisão sobrevoando o Irã”, disse ele.
Segundo o Pentágono, Washington e seus aliados já estabeleceram superioridade aérea em parte do território iraniano. Na quarta-feira, a Casa Branca havia garantido que as Forças Armadas americanas terão “domínio completo e total sobre o espaço aéreo do Irã em questão de horas”.
De acordo com autoridades americanas, mais de 2.000 alvos foram atingidos desde o início da ofensiva, incluindo instalações militares, sistemas de mísseis e mais de duas dezenas de navios da Marinha iraniana.
O general Dan Caine afirmou ainda que o número de mísseis balísticos lançados pelo Irã caiu 86% desde o primeiro dia da guerra, enquanto os ataques com drones diminuíram 73%, após os bombardeios americanos contra bases e plataformas de lançamento.





