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Bielorrússia envia caça para interceptar avião onde opositor viajava

Governo de Alexandr Lukashenko justificou a medida alegando que havia uma bomba a bordo, mas nada foi encontrado

Por Ricardo Ferraz Atualizado em 24 Maio 2021, 05h43 - Publicado em 23 Maio 2021, 18h53

O presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, ordenou que um caça interceptasse um avião comercial da companhia Ryanair, que cruzava o espaço aéreo do país, para prender um jornalista que faz oposição ao governo. A aeronave foi obrigada a pousar no aeroporto da capital Minsk, onde Roman Protasevich, 26 anos, foi detido. 

O voo da Ryanair havia partido de Atenas, na Grécia, em direção a Vinius, na Lituânia. Em comunicado, a companhia disse que o governo justificou o audacioso ato como sendo necessário para conter “uma potencial ameaça à segurança a bordo”. A medida esta sendo comparada com um sequestro e deixou as autoridades europeias perplexas.

No últimos meses, Lukashenko, o último ditador do velho continente, têm enfrentado protestos internos, mas  conta com o apoio do presidente Russo, Vladimir Putin, e tem dado declarações afirmando que está preparado para tomar medidas extremas para reprimir a dissidência.

O jornalista Protasevich é um dos principais opositores do regime da Bielo-Rússia. Ele ajudou a fundar o canal NEXTA Telegram, um dos veículos de oposição mais populares do país e um dos poucos meios de difusão de informação não oficial que restou após os protestos em torno das eleições em 2020. A maioria das organizações de mídia independentes no país foi forçada a fechar por ordem do governo.

Nos últimos anos, Protasevich viveu na Lituânia no exílio, temendo ser preso em seu país natal, onde é acusado de incitar ao ódio e desordem em massa. Em novembro, o principal serviço de segurança do país, ainda chamado de KGB, o colocou em uma lista de terroristas. Ele pode pegar mais de 12 anos de prisão se for condenado.  Após sua prisão,  o acesso de Protasevich ao canal Telegram foi revogado para impedir que os dados dos 256 mil assinantes não caíssem nas mãos de policiais bielorrussos.

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O jornalista retornava de   uma conferência econômica com o líder da oposição bielorrussa Svetlana Tikhanovskaya, disseram autoridades gregas ao jornal The New York Times.

Oficiamente, o governo divulgou que enviou o jato de combate MiG-29 para companhar o avião da Ryanair após uma ameaça de bomba. Mas,nenhum artefato foi encontrado a bordo.  Após cerca de sete horas no solo, o Boeing 737-800 decolou para seu destino final e pousou em segurança.

“Nada desfavorável foi encontrado”,  afirmou a Ryanair, uma popular companhia aérea de baixo custo, em nota.

A Organização de Aviação Civil Internacional, uma agência das Nações Unidas, disse que a “aparente aterrissagem forçada” do vôo pode ter violado a Convenção de Chicago, o acordo de 1944 que estabeleceu os princípios básicos da aviação internacional.

O governo da Lituânia emitiu seu próprio comunicado, dizendo: “É um ataque sem precedentes contra a comunidade internacional: um avião civil e seus passageiros foram sequestrados pela força militar”.

(Com informações do The New York Times)

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