Base militar dos EUA da Guerra Fria é redescoberta pela Nasa na Groenlândia
Ruínas do Camp Century estavam abaixo da camada de gelo que compõe a ilha ártica
A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos, a Nasa, redescobriu uma base americana secreta datada da época da Guerra Fria escondida sob o terreno congelado da Groenlândia. A instalação militar teria sido criada por Washington como uma plataforma para lançamento de ogivas nucleares em caso de ataques inimigos — algo feito sem autorização oficial da Dinamarca, que controla o território groenlandês.
Conhecida como Camp Century, a base foi encontrada após o cientista Chad Green e sua equipe detectarem as ruínas da instalação durante um sobrevoo pela gélida ilha. Através do sistema de radar da aeronave, foi possível mapear com precisão o subsolo, revelando as instalações localizadas a 30 metros de profundidade, uma “cidade secreta” composta por 21 túneis subterrâneos.
Alimentada por um gerador nuclear, a base foi construída pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria, tendo um objetivo estratégico: ser uma plataforma para armazenamento e lançamento de bombas atômicas, pronta para ser utilizada em caso de um ataque inimigo. Inaugurada em 1959, Camp Century nunca recebeu ou armazenou nenhum míssil até seu fechamento.
Washington nunca pediu qualquer tipo de autorização à Dinamarca para posicionar armas nucleares na Groenlândia, afirmando que o projeto tinha fins “puramente experimentais”, e que buscava colocar em prática técnicas de construção em regiões marcadas pelo frio extremo. A falta de transparência gerou tensões diplomáticas entre os dois países.
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Em 1967, as atividades em Camp Century foram encerradas, decisão motivada pela inviabilidade de realizar manutenções nas estruturas subterrâneas devido à instabilidade da camada de gelo. O reator nuclear que alimentava a base foi removido, mas resíduos radioativos foram abandonados na base, que foi completamente encoberta pelo gelo com o tempo.
Cientistas levantam possíveis problemas decorrentes dos resíduos atômicos, uma vez que o derretimento acelerado do gelo no Ártico pode acabar expondo o material, representando um grave risco ambiental para a região.





