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Barco com imigrantes rumo à Europa naufraga na Líbia; 53 morrem, incluindo dois bebês

Apenas duas mulheres sobreviveram ao acidente no Mediterrâneo Central, a mais perigosa rota imigração do mundo, segundo a ONU

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 fev 2026, 16h55 • Atualizado em 9 fev 2026, 17h19
  • Pelo menos 53 pessoas morreram ou estão desaparecidas após o naufrágio de um barco com imigrantes no mar Mediterrâneo, na costa da Líbia. A informação foi confirmada nesta segunda-feira, 9, pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência vinculada às Nações Unidas. Apenas duas sobreviventes foram resgatadas.

    “Apenas duas mulheres nigerianas foram salvas durante uma operação de busca e salvamento conduzida pelas autoridades líbias. Uma delas relatou ter perdido o marido, enquanto a outra afirmou ter perdido seus dois bebês na tragédia”, informou a OIM em comunicado.

    Segundo a agência, a embarcação partiu da cidade de Zawiya na noite de quinta-feira, 5 e naufragou na madrugada da última sexta-feira, 6, nas proximidades de Zuwara. As duas cidades ficam na costa oeste da Líbia, não muito longe da capital, Trípoli, e integram uma das rotas mais utilizadas por imigrantes que tentam chegar à Europa.

    De acordo com os relatos recolhidos pela OIM, o bote inflável transportava ao menos 55 imigrantes e refugiados de diferentes nacionalidades africanas quando começou a encher de água e acabou virando. As sobreviventes receberam atendimento médico emergencial após o resgate.

    Alerta contra tráfico humano e apelo por cooperação

    Em nota, a OIM lamentou “a perda de vidas em mais um incidente mortal ao longo da rota do Mediterrâneo Central”, considerada a mais perigosa do mundo.

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    A agência voltou a alertar para a atuação de redes de tráfico humano e contrabando de imigrantes, que exploram pessoas em situação de vulnerabilidade e as submetem a travessias em embarcações precárias e superlotadas. Segundo a OIM, esses grupos lucram com viagens extremamente arriscadas, expondo pessoas a abusos graves e frequentes.

    A organização também defendeu o fortalecimento da cooperação internacional para desarticular essas redes criminosas e a ampliação de vias legais, seguras e regulares de migração. A OIM teme que centenas de pessoas já tenham morrido desde o início do ano ao tentar cruzar o Mediterrâneo, em meio a condições climáticas adversas.

    A União Europeia afirmou em nota que busca enfrentar as causas estruturais da imigração irregular e ampliar alternativas legais de entrada no bloco. “Esses eventos trágicos reforçam a necessidade de intensificar esforços conjuntos com nossos parceiros, incluindo a Líbia, para evitar jornadas perigosas e combater as redes criminosas que colocam vidas em risco”, disse um porta-voz à AFP.

    Desde a queda do ditador Muammar Kadafi, em 2011, durante uma revolta apoiada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Líbia se consolidou como um dos principais pontos de trânsito de imigrantes que fogem de conflitos, perseguições e da pobreza rumo à Europa, atravessando rotas perigosas pelo deserto e pelo Mediterrâneo.

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