Até EUA, aliados de Israel, condenam ataque ao Catar em Conselho de Segurança da ONU
Bombardeio a complexo residencial em Doha matou cinco membros do Hamas e gerou reação inédita de Washington
O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou nesta sexta-feira, 12, o ataque israelense a um complexo residencial em Doha, no Catar, que tinha como alvo líderes do Hamas. A declaração — que não cita Israel nominalmente — foi aprovada por unanimidade pelos 15 membros do Conselho, incluindo os Estados Unidos, tradicionalmente contrários a resoluções críticas ao histórico aliado no Oriente Médio.
O premiê catari, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, viajou a Nova York para participar da sessão emergencial, convocada pelo Catar, Argélia, Paquistão e Somália. “Israel, liderado por extremistas, ultrapassou todos os limites de comportamento. Não podemos prever o que fará a seguir”, disse al-Thani, questionando como o país poderia receber representantes israelenses após o ataque.
Israel defendeu a operação, afirmando que “não há santuário para terroristas, nem em Gaza, nem em Teerã, nem em Doha”, segundo o embaixador Danny Danon. Hamas confirmou que seu time de negociação sobreviveu, mas informou a morte de cinco integrantes, incluindo o filho do principal negociador do grupo, Khalil al-Hayya. Um oficial de segurança do Catar também foi morto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou os ataques, afirmando que “golpes unilaterais dentro do Catar não avançam os objetivos de Israel ou dos EUA”, mas disse que o episódio “pode servir como oportunidade de paz” e reiterou que a eliminação do Hamas continua sendo “um objetivo digno”.
A ofensiva surpreendeu aliados do Golfo, que esperavam que a relação estratégica com Washington oferecesse proteção. Os Emirados Árabes Unidos convocaram o vice-embaixador israelense para protestar contra o bombardeio e contra declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, consideradas “hostis e inaceitáveis”.





