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‘Assassinato de bebês virou passatempo’: ex-general de Israel condena ações em Gaza

Chefe humanitário da ONU alerta: 14 mil bebês podem morrer em 48 horas se ajuda não chegar a Gaza

Por Ernesto Neves 20 Maio 2025, 13h40 •
  • O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reagiu com indignação nesta terça-feira após declarações contundentes de um ex-alto oficial militar que alertou para o risco de Israel se tornar “um Estado pária” devido à guerra em Gaza.

    Em entrevista à rádio Reshet Bet, Yair Golan, ex-vice-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel e atual líder do pequeno partido de oposição Democratas, afirmou: “Um país sensato não faz guerra contra civis, não mata bebês por passatempo e não promove deslocamento em massa da população.”

    Golan, conhecido crítico de Netanyahu, comparou as ações israelenses ao regime de apartheid da África do Sul e disse que o povo judeu, “vítima histórica de perseguições e genocídios”, agora toma atitudes “moralmente inconcebíveis”.

    As declarações provocaram reações imediatas no governo. Netanyahu classificou os comentários como “um incitamento ultrajante contra nossos heróicos soldados e contra o Estado de Israel”.

    O ministro da Defesa, Israel Katz, acusou Golan de “difamação vil” contra as tropas, enquanto o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, da ala ultradireitista, afirmou que o ex-militar “espalha mentiras conscientemente e mancha a imagem de Israel e das Forças Armadas perante o mundo”.

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    Em contrapartida, o ex-primeiro-ministro Ehud Barak defendeu Golan, chamando-o de “homem corajoso e direto”, ressaltando que as críticas se dirigiam aos líderes políticos, e não aos soldados.

    O episódio ocorre em meio à intensificação dos ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza. Na segunda-feira, Netanyahu prometeu “tomar controle” total do enclave para derrotar o Hamas e libertar os 58 reféns ainda sob cativeiro — dos quais apenas 23 estariam vivos, segundo estimativas.

    Segundo o diretor dos hospitais de campanha de Gaza, Dr. Marwan Al-Hams, mais de 600 palestinos foram mortos por ataques israelenses apenas nos últimos quatro dias. A ofensiva israelense já causou, de acordo com o Ministério da Saúde palestino, a morte de mais de 53 mil pessoas.

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    A pressão internacional também aumentou. O Reino Unido suspendeu negociações de livre comércio com Israel, convocou o embaixador israelense e anunciou sanções contra colonos na Cisjordânia.

    O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse estar “horrorizado” com a escalada militar, enquanto o chanceler David Lammy criticou a ofensiva como ineficaz para a libertação de reféns e exigiu o fim do bloqueio à ajuda humanitária em Gaza.

    Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que cabe ao governo britânico decidir “se quer prejudicar sua própria economia”.

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    Na véspera, Reino Unido, França e Canadá já haviam ameaçado adotar “ações concretas”, incluindo sanções direcionadas, caso Israel não permitisse a entrada de mais ajuda humanitária em Gaza, criticando como “completamente inadequada” a liberação de poucos caminhões após 11 semanas de bloqueio.

    A entrada de cinco caminhões da ONU com alimentos infantis essenciais foi autorizada na segunda-feira, após Netanyahu aceitar suspender parcialmente o bloqueio imposto em 2 de março. No entanto, a ajuda permanece parada próxima ao ponto de passagem de Kerem Shalom e não foi distribuída, segundo Amjad Al-Shawa, da ONG Network.

    O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, alertou nesta terça que cerca de 14 mil bebês podem morrer nas próximas 48 horas se a ajuda não chegar com urgência. Ele descreveu o envio atual como “uma gota no oceano do que é urgentemente necessário”.

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    A ONU estima que, para conter a crise, seriam necessários ao menos 500 caminhões de ajuda e 50 de combustível entrando diariamente em Gaza.

    Israel, por sua vez, acusa o Hamas de desviar a ajuda, uma acusação negada pelo grupo. Netanyahu afirmou que a entrada limitada de ajuda faz parte de um plano para criar um novo sistema de distribuição, supervisionado por militares israelenses e coordenado pela recém-formada Fundação Humanitária de Gaza, apoiada pelos EUA.

    Enquanto a crise humanitária se agrava, os bombardeios israelenses continuam. Pelo menos 88 pessoas morreram durante a madrugada em Gaza, e a cidade de Khan Younis foi alvo de um ataque sem precedentes que forçou a evacuação de milhares de civis.

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