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Às vésperas de negociações, Rússia intensifica bombardeios e lança mísseis contra a Ucrânia

Ataque combinado com quase 400 drones e dezenas de mísseis atinge infraestrutura energética e deixa milhares sem aquecimento

Por Ernesto Neves 17 fev 2026, 08h14 • Atualizado em 17 fev 2026, 08h32
  • Horas antes do início de mais uma rodada de negociações entre Kiev e Moscou em Genebra, a Rússia promoveu, na madrugada desta terça-feira, um dos maiores ataques aéreos das últimas semanas contra a Ucrânia.

    A ofensiva teve como principal alvo a cidade portuária de Odessa, no sul do país, e se estendeu a regiões centrais e ocidentais.

    Segundo a Força Aérea ucraniana, foram disparados quatro mísseis balísticos Iskander-M, 20 mísseis de cruzeiro Kh-101 lançados do ar, quatro Iskander-K, um míssil guiado Kh-59/69 e 396 drones de diferentes modelos, incluindo cerca de 250 unidades do tipo Shahed, de fabricação iraniana.

    Ao todo, 392 alvos aéreos teriam sido interceptados ou neutralizados por sistemas de defesa antiaérea, aviação de combate, guerra eletrônica e grupos móveis.

    Apesar da alta taxa de interceptação, houve impactos diretos em ao menos 13 pontos do território ucraniano. Quatro mísseis balísticos e 18 drones atingiram alvos, enquanto destroços de projéteis derrubados caíram em outras oito localidades.

    Em Odessa, um drone atingiu os andares superiores de um edifício residencial. Armazéns, um posto de combustíveis e dois veículos foram destruídos.

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    Duas pessoas ficaram feridas. A empresa de energia DTEK informou que a infraestrutura elétrica da cidade sofreu danos “extremamente graves” e que os reparos devem se prolongar por tempo indeterminado. A prioridade, segundo a companhia, é restabelecer o fornecimento para hospitais e serviços essenciais.

    O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que dezenas de milhares de moradores de Odessa ficaram sem aquecimento e água em pleno inverno. Ao todo, 12 regiões registraram danos, com nove feridos, entre eles crianças. Mais de dez prédios residenciais e trechos ferroviários foram afetados.

    “A ofensiva foi claramente calculada para provocar o máximo de destruição possível no setor energético”, escreveu Zelensky em mensagem nas redes sociais. Ele voltou a pedir maior pressão internacional sobre Moscou, com ampliação de sanções e reforço dos sistemas de defesa aérea fornecidos por aliados ocidentais.

    A região de Dnipropetrovsk também foi alvo de ataques combinados com mísseis, drones, artilharia e bombas aéreas. Em Dnipro, instalações industriais, prédios administrativos, residências e veículos sofreram danos. Em Kryvyi Rih, um complexo industrial foi atingido. Não houve registro de mortes nessas áreas.

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    Diplomacia sob fogo

    O bombardeio ocorre na véspera do terceiro ciclo de conversas entre representantes russos e ucranianos na Suíça, marcado para os dias 17 e 18 de fevereiro. A delegação de Kiev já se encontra em Genebra e será chefiada por Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional.

    Do lado russo, Moscou alterou sua equipe negociadora e nomeou como chefe da delegação Vladimir Medinsky, assessor do presidente Vladimir Putin e conhecido por posições duras em relação à soberania ucraniana.

    As partes já haviam se reunido anteriormente em Abu Dhabi, com mediação indireta dos Estados Unidos. A escolha de Genebra como sede sinaliza tentativa de envolver mais diretamente atores europeus na retomada do diálogo.

    Ainda assim, analistas ouvidos por veículos como a Reuters e o Financial Times avaliam que as perspectivas de avanço concreto permanecem limitadas, diante das exigências territoriais maximalistas apresentadas por Moscou.

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    Energia como alvo estratégico

    Desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, a Rússia tem direcionado ataques sistemáticos à infraestrutura energética ucraniana, especialmente durante o inverno. Relatórios da Agência Internacional de Energia apontam que mais de metade da capacidade de geração elétrica do país já foi danificada ou destruída ao longo do conflito.

    Especialistas militares destacam que a combinação de mísseis balísticos, de cruzeiro e enxames de drones visa saturar as defesas aéreas e elevar o custo da proteção para Kiev. O uso intensivo de drones Shahed, de menor custo, tornou-se marca recorrente das ofensivas russas nos últimos dois anos.

    Ao mesmo tempo, a Ucrânia tem ampliado ataques com drones de longo alcance contra refinarias e instalações industriais em território russo, buscando pressionar a retaguarda econômica de Moscou. A guerra, que se aproxima de seu quarto aniversário, assume cada vez mais características de conflito de desgaste.

    Enquanto diplomatas se preparam para discutir cessar-fogo, garantias de segurança e questões humanitárias em Genebra, os bombardeios reforçam a distância entre o campo de batalha e a mesa de negociações.

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    Para Kiev, a ofensiva desta terça-feira é mais um sinal de que Moscou pretende negociar a partir da força. Para o Kremlin, manter pressão militar pode ampliar seu poder de barganha.

    No terreno, porém, quem paga o preço imediato são os civis que enfrentam frio, cortes de energia e incerteza em meio a uma guerra que ainda não dá sinais claros de desfecho.

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