Aniversário da Abril: VEJA por apenas 9,90

Às ruas, cidadãos

Contra tudo o que enraivece a classe média - baixos salários, serviços ineficientes e até o presidente Macron - os franceses marcharam

Por Maria Clara Vieira 21 dez 2018, 07h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 16h03
  • selo-retrospectiva-2018Símbolo da França, personificação dos conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade pregados pela Revolução Francesa, Marianne, ela também, entrou na mira dos “coletes amarelos”, que de uma hora para outra surgiram por toda parte e fizeram a França tremer: uma escultura de seu rosto, pregada na parede de uma galeria dentro do Arco do Triunfo, ostentava um buraco no lado direito quando a poeira baixou. Por cinco sábados seguidos, os franceses marcharam, gritaram, enfrentaram a polícia, picharam e quebraram vidraças. Primeiro, por causa de um aumento da gasolina; depois, por tudo o que enraivece a classe média — baixos salários, serviços deficientes, benefícios encolhendo e um presidente, Emmanuel Macron, que foi eleito para mudar para melhor, mas só cuidou de agradar aos ricos.

    Macron encastelou-se na indiferença, achando que a onda fosse passar. Nada disso: o movimento, nascido por geração espontânea, criado e multiplicado nas redes sociais, sem instituições nem líderes a guiá-lo, partiu do interior para as grandes cidades e foi ficando cada vez mais violento. A “França profunda” descobriu sua força, pôs o bloco na rua e mostrou que, à semelhança do que ocorreu em outros países, quem tem Facebook não precisa de sindicatos. Restou ao governo afundar cada vez mais na condição de inimigo ou capitular. Capitulou.

    O aumento de combustíveis que detonou a mobilização foi adiado. Em seguida, novas concessões foram feitas aos “coletes amarelos” (assim chamados por usarem a veste obrigatória no equipamento de segurança dos carros). Macron, em pronunciamento na TV, admitiu erros, assumiu responsabilidade, elevou o salário mínimo, anulou mais tributos programados e estimulou os empregadores a distribuir bônus aos funcionários. A mobilização perdeu fôlego, mas ficou a pergunta: até quando? É melhor que Marianne se proteja do rolo compressor que a internet pôs em marcha.

    Publicado em VEJA de 26 de dezembro de 2018, edição nº 2614

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 39,99/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).