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Arquivos sobre Epstein indicam proximidade com Naomi Campbell

Documentos do Departamento de Justiça dos EUA revelam trocas de e-mails, convites e menções à modelo britânica

Por Ernesto Neves 16 fev 2026, 09h09 • Atualizado em 16 fev 2026, 09h11
  • Entre os milhões de páginas tornadas públicas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o financista condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein, um nome recorrente chama atenção: o da supermodelo britânica Naomi Campbell.

    Mensagens eletrônicas e registros internos indicam que Campbell manteve contato frequente com Epstein ao longo dos anos, inclusive após sua condenação, em 2008, por solicitar prostituição de menor na Flórida.

    Os documentos mostram pedidos para uso de seu avião particular, menções a encontros em sua mansão em Nova York e convites para eventos internacionais de alto padrão. Parte da interlocução era intermediada por sua assistente de longa data, Lesley Groff.

    Depoimentos colhidos pelo FBI também mencionam a modelo. Vítimas ouvidas por investigadores federais afirmaram que Epstein as apresentou a Campbell em eventos sociais e que a viram tanto na residência dele em Manhattan quanto em sua ilha privada no Caribe.

    Não há, porém, nos registros divulgados, evidências que corroborem essas declarações nem acusações formais contra a modelo.

    Os novos documentos ampliam a compreensão sobre a rede de relações cultivada por Epstein, que morreu por suicídio em 2019 em uma cela de Manhattan enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual.

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    Ao longo de décadas, ele circulou entre empresários, políticos, acadêmicos e celebridades, usando esse capital social como instrumento de influência e, segundo promotores, como forma de atrair adolescentes e jovens mulheres para seu entorno.

    A associação entre Campbell e Epstein já havia sido citada em processos judiciais envolvendo também Ghislaine Maxwell, ex-companheira do financista, atualmente presa nos Estados Unidos por tráfico sexual.

    Em nota enviada por e-mail à imprensa americana, o advogado de Campbell, Martin Singer, afirmou que a cliente desconhecia “a conduta criminosa hedionda” de Epstein até sua prisão, em 2019, e que rompeu qualquer contato a partir dali.

    Segundo o defensor, a modelo não tinha ciência de que ele era registrado como agressor sexual após a condenação na Flórida e, caso tivesse percebido qualquer situação de abuso, teria agido para proteger possíveis vítimas.

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    Os arquivos revisados pelo jornal The New York Times indicam que o nome de Campbell aparece em quase 300 documentos, alguns repetidos.

    Ela surge em listas de contatos, convites e trocas de mensagens, ao lado de figuras influentes como o ex-presidente Bill Clinton, o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak e o presidente americano Donald Trump.

    Um dos registros inclui uma lista intitulada “Pessoas que precisam do endereço de JE”, com instruções para envio de cartas à prisão da Flórida onde Epstein cumpriu pena a partir de 2008.

    O nome da modelo figura entre dezenas de contatos. O advogado afirma que ela desconhece a origem da lista e que jamais solicitou o endereço do financista para se comunicar com ele na prisão.

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    Os documentos também indicam que Epstein teria mencionado a proximidade com Campbell ao recrutar jovens mulheres, sugerindo que poderia ajudá-las a ingressar na carreira de modelo.

    Em um depoimento de 2020, uma vítima relatou que, aos 15 anos, ouviu de Epstein que ele poderia conseguir trabalhos para ela na Victoria’s Secret e que conhecia Campbell e o então executivo Leslie Wexner, controlador do grupo L Brands.

    Segundo o relato, ela teria sido apresentada à modelo no escritório privado do financista.

    O advogado de Campbell rebateu a narrativa, afirmando que ela nunca teve contrato com a marca de lingerie e que qualquer uso de seu nome por Epstein teria ocorrido sem seu conhecimento ou autorização.

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    Outros depoimentos colhidos em 2019 relatam que a modelo foi vista em um jantar na mansão de Nova York e na ilha privada de Epstein. A vítima Virginia Giuffre, uma das mais conhecidas denunciantes do caso, já havia declarado em 2016 que fora apresentada a Campbell.

    A defesa sustenta que a modelo não se recorda de encontros com vítimas e que nunca participou de eventos sociais na residência de Epstein, embora tenha estado em seu escritório para “três ou quatro reuniões de negócios”.

    Após deixar a prisão em 2009 e já constar como agressor sexual registrado, Epstein continuou em contato com Campbell, segundo os e-mails divulgados.

    Em 2010, ele articulou um encontro entre a modelo e a executiva Linda Wachner, ex-CEO da Warnaco, para discutir uma possível linha de lingerie e moda praia. O projeto não avançou.

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    Registros mostram ainda convites para o aniversário de 40 anos da modelo, em Cannes, e para um evento em Paris que celebrava seus 25 anos de carreira com a grife Dolce & Gabbana. Em um dos convites, uma resposta indicava: “Jeffrey irá mais dois”. O advogado confirmou que Epstein e Maxwell compareceram a um dos eventos, mas por cerca de 20 minutos.

    E-mails também revelam familiaridade na comunicação. Em 2015, ao tratar de planos de viagem, Campbell escreveu que queria ver “Jeffrey” e encerrou a mensagem com tom informal.

    Em outra troca, assessores discutem a possibilidade de ela usar o avião particular de Epstein para deslocamentos entre Nova York e Miami. Segundo a defesa, a modelo utilizou a aeronave “em poucas ocasiões” e jamais presenciou conduta inadequada.

    O novo conjunto de documentos reforça a dimensão da rede social construída por Epstein, que transitava com desenvoltura entre figuras públicas de peso.

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