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Argentina enfrenta greve geral em dia de votação da reforma trabalhista no Senado

Projeto apoiado pelo presidente Javier Milei amplia a jornada de trabalho para 12 horas e limita o direito de greve

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 fev 2026, 11h27 • Atualizado em 27 fev 2026, 11h38
  • Sindicatos de diferentes setores da Argentina decidiram fazer uma nova paralisação nesta sexta-feira, 27, em meio ao início da votação no Senado da reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei.

    A greve, que tem duração prevista de 24 horas, foi organizada pela Frente Sindical Unida (FreSU), que reúne mais de 100 sindicatos. Segundo a FreSU, diversos serviços serão afetados, incluindo polícias municipais, agentes de trânsito e coleta de lixo. Nos hospitais, apenas o número mínimo de funcionários está garantido.

    Os manifestantes devem se concentrar a partir das 10h na Avenida de Mayo, em Buenos Aires, e seguir em marcha até o Congresso. O lema escolhido para o ato é “Contra a reforma trabalhista, pelos nossos direitos e por aumentos salariais já”.

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    Diferentemente da paralisação realizada na semana passada, a nova greve não conta com o apoio da Confederación General del Trabajo (CGT), que optou por aguardar o resultado da votação e, em caso de aprovação da reforma, recorrer à Justiça.

    A reforma trabalhista, um objetivo crucial da segunda metade do mandato de Milei, já havia sido aprovada pelo Senado na semana passada, mas sofreu modificações na Câmara dos Deputados, o que significa que deverá retornar à Câmara Alta para a aprovação definitiva, que o governo espera obter antes de março. O Senado argentino também deve discutir nesta sexta a redução da maioridade penal do país de 16 para 14 anos, apoiada por Milei.

    O projeto econômico, considerado “regressivo e inconstitucional” pela central sindical argentina CGT, integra o pacote de reformas estruturais defendido pelo presidente ultraliberal para reduzir custos trabalhistas, estimular investimentos e formalizar empregos em um mercado em que cerca de 40% dos trabalhadores estão na informalidade.

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    Entre os principais pontos do texto estão:

    • Ampliação do período de experiência para até seis meses, podendo chegar a oito ou 12 em alguns casos, com indenizações reduzidas;
    • Flexibilização da jornada de trabalho, permitindo até 12 horas diárias com compensação de horas;
    • Mudanças nas regras de demissão e possibilidade de parcelamento de indenizações;
    • Restrições ao direito de greve em serviços essenciais, exigindo funcionamento mínimo entre 50% e 75%;
    • Flexibilização das férias e alterações na negociação coletiva;

    Para viabilizar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original, incluindo a retirada de um artigo que permitiria o pagamento de salários em moeda estrangeira ou por carteiras digitais.

    A reforma não se aplica a servidores públicos nacionais, provinciais ou municipais, exceto nas regras relativas a greves em serviços essenciais.

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    Segundo a Pesquisa Permanente de Domicílios do Indec, referente ao terceiro trimestre de 2025, a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, o que representa uma taxa de desocupação de 6,6%.

    Apesar do índice relativamente estável, o país enfrenta inflação elevada, perda de poder de compra e forte ajuste fiscal promovido pelo governo.

    Desde que assumiu, Milei implementou cortes de gastos públicos e medidas de desregulação econômica que dividiram o país.

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    Enquanto setores empresariais defendem as reformas como necessárias para recuperar a confiança e atrair investimentos, sindicatos e movimentos sociais acusam o governo de precarizar direitos históricos dos trabalhadores.

    A greve desta sexta-feira e seus efeitos, inclusive no Brasil, evidenciam a dimensão regional da crise política e econômica argentina, num momento em que o governo tenta acelerar mudanças estruturais sob forte contestação social.

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