Arábia Saudita prevê petróleo a US$ 180 devido à guerra no Oriente Médio
Maior exportadora do combustível no mundo, nação do Golfo diz que possibilidade aumenta se confrontos se estenderem para além de abril, segundo 'WSJ'
Autoridades no setor de petróleo da Arábia Saudita preveem que o preço do petróleo pode ultrapassar os US$ 180 (mais de R$ 950, na cotação atual) caso a guerra que abala o Oriente Médio há três semanas continue provocando interrupções no fornecimento até o final de abril. As informações são de uma reportagem publicada pelo jornal americano The Wall Street Journal nesta sexta-feira, 20, quando a guerra entrou em seu 21º dia sem sinais de arrefecimento.
Embora tal alta possa parecer benéfica para um país ainda fortemente dependente da receita do petróleo para seu orçamento, as autoridades da maior nação exportadora do combustível no mundo consideram este cenário como um risco sério.
Preços extremamente altos podem levar os consumidores a reduzir o uso de petróleo de maneiras que persistam até mesmo depois que a guerra acabar. Podem, inclusive, empurrar a economia global para uma recessão, enfraquecendo ainda mais a demanda.
“A Arábia Saudita geralmente não gosta de aumentos muito rápidos nos preços do petróleo, porque isso gera instabilidade de mercado a longo prazo”, disse ao WSJ o analista de geopolítica saudita Umar Karim, do Centro Rei Faisal para Pesquisa e Estudos Islâmicos. “Para os sauditas, a equação ideal é um aumento relativamente moderado nos preços, enquanto sua participação de mercado permanece estável.”
No início de março, o presidente e CEO da empresa Saudi Aramco, Amin H. Nasser, afirmou que a guerra em curso no Oriente Médio pode ser “catastrófica” para o mercado de petróleo.
“Quanto mais tempo durar a perturbação, mais catastróficas serão as consequências para os mercados de petróleo e mais drásticas as consequências para a economia global”, afirmou o executivo à imprensa na época. “É absolutamente crucial que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz seja retomado”, acrescentou Nasser, ao mencionar a via por onde transita 20% do petróleo consumido em todo o planeta.
Na quinta-feira, novos ataques retaliatórios do Irã contra nações do Golfo, aliadas de Washington, afetaram não apenas refinarias, mas diversas etapas do complexo petrolífero no Catar, Kuwait e Arábia Saudita, impulsionando o barril de Brent, referência internacional, para US$ 119, antes dos preços voltarem a recuar.
A máxima histórica do petróleo permanece em US$ 146,08, atingida em julho de 2008. O petróleo bruto de Omã, uma referência dos produtores do Oriente Médio, incluindo a Arábia Saudita, que tende a responder mais rapidamente a choques na oferta regional, já disparou acima de US$ 166.
“O petróleo a US$ 200 não está fora de cogitação em 2026”, disse um especialista da consultoria de energia Wood Mackenzie ao jornal americano.
O conflito já retirou milhões de barris do mercado global, contribuindo para um aumento de aproximadamente 50% nos preços do petróleo desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. A Agência Internacional de Energia (AIE), ligada ao clube dos países ricos OCDE, anunciou a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais para aumentar a oferta, mas estima que o fornecimento deve cair em 10 milhões de barris por dia. Segundo o órgão, essa já é a pior crise do setor na história.





