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Após trato UE-Mercosul, governo francês tem teste com duas moções de censura nesta quarta

Embora elas tenham poucas chances de prosperar, Macron pode ver seu premiê derrubado pela sexta vez enquanto crise política se intensifica na França

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jan 2026, 09h00 • Atualizado em 14 jan 2026, 09h12
  • O governo francês enfrenta, nesta quarta-feira, 14, duas moções de censura apresentadas pela esquerda radical e pela extrema direita, que reagiram com fúria ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, apesar da oposição da França à sua assinatura. Caso uma das duas seja aprovada, o primeiro-ministro Sebastién Lecornu pode ser derrubado, intensificando a crise política que já viu outros cinco líderes apontados pelo presidente Emmanuel Macron destituídos de seus cargos.

    No próximo sábado, 17, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve assinar com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai o tratado que criará a maior zona de livre‑comércio do mundo, com 700 milhões de consumidores. Mas os agricultores franceses, apoiados por toda a classe política de seu país, opõem-se veementemente ao pacto, por temerem o impacto das importações de carne, arroz, mel e soja sul‑americanos, em troca da exportação de automóveis e máquinas europeias.

    Discórdia

    A moção de censura serve para “apoiar os agricultores e denunciar a hipocrisia e a incompetência do governo nesse assunto”, explicou o deputado de extrema direita Sébastien Chenu à rádio FranceInfo.

    Os partidos que apoiam a censura consideram que o governo não fez o suficiente para impedir a assinatura do tratado, já que poderia ter levado o tema à Justiça Europeia ou até ameaçado reduzir sua contribuição ao orçamento da União Europeia.

    As moções, no entanto, têm poucas chances de prosperar. O Partido Socialista, na oposição, e a sigla conservadora Os Republicanos anunciaram que não as apoiarão, de modo que não seria alcançada a maioria necessária de votos. Seus líderes justificaram a decisão pelo fato de que a França fez oposição clara ao acordo UE-Mercosul, mesmo que malsucedida.

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    “A moção de censura na França não acrescenta nada. Tudo será decidido no Parlamento Europeu”, indicou o senador conservador Bruno Retailleau. O órgão legislativo da União Europeia ainda precisa se pronunciar para que o pacto de livre comércio avance.

    Macron vulnerável

    As moções de censura chegam em um momento de fragilidade para o governo do presidente Macron. O premiê Lecornu busca aprovar os orçamentos de 2026 e desarticular os protestos agrícolas.

    Após o governo prometer na terça-feira 13 uma “lei de emergência agrícola” e outras medidas, os membros do FNSEA, principal sindicato agrícola, começaram a retirar seus tratores da Assembleia Nacional e a deixar Paris.

    O partido de esquerda radical França Insubmissa também justificou sua moção pela “humilhação” sofrida pela França com a operação militar americana na Venezuela, que Macron foi “incapaz de condenar”. A Assembleia Nacional realizará um debate sobre a Venezuela em 19 de janeiro.

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