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Após ser escanteada, María Corina Machado chega à Casa Branca para reunião com Trump

Oposicionista venezuelana e Nobel da Paz participou pouco (ou nada) de decisões sobre seu país pós-Maduro, enquanto EUA negociam com vice do ditador

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 jan 2026, 14h50 • Atualizado em 15 jan 2026, 15h00
  • A líder oposicionista venezuelana e ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado, chegou à Casa Branca na tarde desta quinta-feira, 15, para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desde a operação americana que capturou o ditador Nicolás Maduro na Venezuela, sua vice, Delcy Rodríguez, assumiu a liderança interina do país sul-americano, dando continuidade ao chavismo e deixando a oposição escanteada — inclusive pelo próprio ocupante do Salão Oval.

    Vestida com um terno branco, María Corina chegou à entrada externa do complexo da Casa Branca a bordo de um carro. Ela foi escoltada para o interior para um almoço a portas fechadas, segundo a agenda da Casa Branca.

    A reunião ocorre após Trump recusar-se a apoiar a oposição venezuelana para assumir o assento vacado por Maduro. Embora ela tenha elogiado a ação militar dos Estados Unidos em inúmeras ocasiões, e agradecido ao próprio mandatário americano por deixar “a liberdade próxima” na Venezuela, defendeu que Edmundo González Urrutia, que segundo levantamentos independentes venceu as eleições que o chavismo fraudou em 2024, se torne presidente “imediatamente”.

    María Corina, que foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz 2025 por sua luta pela democracia, lidera a oposição da Venezuela desde 2023, quando venceu as primárias para disputar o pleito de julho do ano seguinte contra Maduro. Sua candidatura, porém, foi barrada por uma manobra do regime, e ela endossou o desconhecido diplomata Edmundo González Urrutia para representar a ala oposicionista. Apesar de acusações de fraude e evidências contrárias, Maduro declarou-se reeleito e, em janeiro do ano passado, tomou posse para um novo mandato de seis anos.

    Desde então, ela passou a viver escondida na Venezuela e, devido à perseguição, González fugiu para o exílio em Madri. Machado decidiu deixar o país em novembro para comparecer à cerimônia de entrega do Nobel em Oslo, e desde então não voltou.

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    Apesar dos resultados eleitorais apontarem vitória de González e de ele ter sido reconhecido presidente eleito da Venezuela pelos Estados Unidos, União Europeia e diversos países na América Latina, Trump não defendeu que ele (ou sua mentora política) assumissem o governo após a deposição de Maduro. O presidente americano afirmou que María Corina “é uma mulher simpática”, mas disse que ela não tem apoio suficiente para liderar uma transição. Em vez disso, sugeriu que os Estados Unidos “vão governar” a Venezuela por tempo indeterminado, sem dar detalhes sobre o como ou até quando, até que seja possível realizar uma transição “justa e sensata”.

    Também afirmou que a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina da Venezuela, concordou em “fazer o que for necessário” para atingir os interesses americanos. Embora tenha feito acordos para vender o petróleo venezuelano sancionado aos Estados Unidos, ela continua fazendo um discurso duro em casa e acenando ao chavismo ao denunciar a operação em Caracas como uma “agressão à soberania” e demandar a libertação de Maduro. Rodríguez e Trump conversaram por telefone na quarta-feira 14, e ela deve fazer um discurso sobre o estado da nação nesta quinta.

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