Após queda de Maduro, María Corina Machado anuncia que voltará à Venezuela
Ela não poupou elogios a Trump, que tem ignorado seus apelos para que Edmundo González, suposto vencedor das eleições de 2024, assuma o poder
A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, prometeu nesta segunda-feira, 6, retornar ao país “o mais rápido possível” após a queda do ditador Nicolás Maduro, levado preso pelos Estados Unidos. Em entrevista à emissora americana Fox News, ela não poupou elogios ao presidente dos EUA, Donald Trump, que tem ignorado seus apelos para que Edmundo González, suposto vencedor das eleições venezuelanas de 2024, assuma o poder. A vice de Maduro, Delcy Rodríguez, já tomou posse como presidente interina.
“Pretendo voltar à Venezuela o mais rápido possível”, disse Machado, de 58 anos, vencedora do Nobel da Paz de 2025. “Acreditamos que essa transição deve prosseguir.”
“Ganhamos uma eleição (em 2024) por uma margem esmagadora em condições fraudulentas. Em eleições livres e justas, conquistaremos mais de 90% dos votos”, acrescentou.
Machado lidera a oposição da Venezuela desde 2023, quando venceu as primárias para disputar o pleito de julho do ano seguinte contra Maduro. Sua candidatura, porém, foi barrada por uma manobra do regime, e ela endossou o desconhecido diplomata Edmundo González Urrutia para representar a ala oposicionista. Apesar de acusações de fraude e evidências contrárias, Maduro declarou-se reeleito e, em janeiro do ano passado, tomou posse para um novo mandato de seis anos.
Em coletiva de imprensa no sábado 3, o presidente americano afirmou que Machado “é uma mulher simpática”, mas disse que ela não tem apoio suficiente para liderar uma transição. Em vez disso, sugeriu que os Estados Unidos “vão governar” a Venezuela por tempo indeterminado, sem dar detalhes sobre o como ou até quando, até que seja possível realizar uma transição “justa e sensata”.
Na segunda 5, Trump descartou estar em guerra com a Venezuela e adiantou que não convocaria eleições em 30 dias. Ele justificou a decisão à emissora americana NBC: “Primeiro temos que consertar o país. Não dá para ter eleição. Não tem como as pessoas sequer votarem”.
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Prisão e acusações
Segundo reportagem da emissora CNN, Maduro e Cilia foram arrastados do quarto em que estavam por militares americanos na madrugada de sábado 3. Em entrevista à emissora americana Fox News, o presidente Donald Trump disse que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes que participaram da missão. À agência de notícias Associated Press, o líder do partido governista venezuelano, Nahum Fernández, disse que ambos estavam na residência dentro do complexo militar do Forte Tiuana. Os dois estão presos no Brooklyn e alegam inocência.
Em um novo indiciamento divulgado no sábado, os promotores de Manhattan alegam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado, que tinha parcerias com alguns dos grupos narcotraficantes mais violentos e prolíficos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, o grupo paramilitar colombiano FARC e a gangue venezuelana Tren de Aragua.
A acusação contra Maduro na Corte do Distrito Sul de Nova York coloca como réus, além do ditador deposto e sua esposa, o filho do líder venezuelano, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero e líder do Tren de Arágua.
Segundo o documento, Maduro “se associou a seus cúmplices para usar sua autoridade obtida ilegalmente e as instituições que corroeu para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”. A peça de acusação relembra a controversa trajetória do ditador e imputa a ele, por exemplo, papel de ter movimentado carregamentos de cocaína sob proteção da polícia venezuelana quando era membro da Assembleia Nacional, ter fornecido passaportes diplomáticos a notórios traficantes de drogas e ter facilitado a cobertura diplomática para que criminosos mexicanos pudessem repatriar dinheiro do crime na Venezuela.
“Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares”, disse o procurador dos Estados Unidos Jay Clayton.
O documento ganha relevo porque é esta denúncia criminal formal, conhecida no sistema americano como “indictment”, que autoriza acusações criminais graves e a expedição de mandados de prisão internacionais. Acusado de narcoterrorismo, o venezuelano passa a ser enquadrado como risco à segurança nacional dos Estados Unidos com base em uma lei americana criada após os ataques de 11 de setembro de 2001. É na mescla de direito penal, direito internacional e risco à segurança nacional que autoridades do governo norte-americano se fiam para julgar e condenar Maduro.





