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Após protestos de domingo, Cuba sofre interrupção do serviço de internet

Redes sociais foram usadas para mobilizar manifestantes e divulgar atos; interrupção é forma de conter fluxo de informações

Por Redação 13 jul 2021, 11h45 • Atualizado em 13 jul 2021, 12h11
  • Após uma onda de protestos espalhados por todo o país no último domingo, 11, o governo de Cuba cortou a internet da população, de forma a limitar a comunicação para a divulgação e organização de novas manifestações. As interrupções na rede móvel do país, único meio de acesso à internet para grande parte dos cubanos, apresentou instabilidade ao longo de toda a segunda-feira. 

    A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou a prisão e o ataque a jornalistas independentes, além de denunciar a interrupção do serviço de internet enquanto manifestações estavam sendo transmitidas via redes sociais. Ao mesmo tempo, a Anistia Internacional disse ter recebido relatórios de “apagões da Internet, detenções arbitrárias e uso excessivo da força”.

    A empresa de monitoramento de rede Kentik observou várias horas de interrupções frequentes na rede móvel após uma grande queda geral na tarde de domingo. Já a organização não governamental NetBlocks, que monitora a liberdade de acesso à internet, disse que houve uma interrupção parcial nas redes sociais de Cuba também na segunda-feira, 12, “provavelmente para limitar o fluxo de informação”.

    Também na segunda, a Organização das Nações Unidas (ONU) cobrou das autoridades do país que respeitem plenamente a liberdade de expressão e de manifestação da população. 

    “Estamos, simplesmente, observando o que acontece e queremos que os direitos básicos das pessoas sejam respeitados”, afirmou o porta-voz das Nações Unidas, Farhan Haq, em entrevista coletiva.

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    Além da ONU, a União Europeia também demonstrou preocupação com a situação do país nesta terça-feira, 13. Segundo o bloco, é inadmissível a prisão de manifestantes e jornalistas durante os protestos de domingo, acrescentando que a imprensa deve ter o direito de realizar o seu trabalho sem qualquer limitação ou obstrução. 

    “O lugar dessas pessoas não é na prisão, mas no discurso público, por isso pedimos às autoridades cubanas que libertem imediatamente todos os detidos, todas as pessoas que foram detidas por suas convicções políticas ou por seu trabalho jornalístico”, disse o porta-voz Peter Stano em entrevista coletiva.

    As manifestações do domingo tiveram início em San Antonio de los Baños, onde um grupo de pessoas tomou as ruas para exigir liberdade e criticar o governo pela escassez de comida, medicamentos e contínuos apagões sofridos pelo município.

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    O protesto estava sendo transmitido ao vivo no Facebook até a internet do país ser cortada, o que possivelmente motivou atos semelhantes em outras localidades ao longo de toda a extensão da ilha.

    O evento pode fazer história, já que é a primeira vez que um grande grupo de cubanos sai às ruas de Havana para protestar contra o governo desde o famoso “Maleconazo” de 1994, no meio da crise econômica do chamado “Período Especial”.

    As manifestações ocorrem em um momento de grave crise em Cuba, que sofre de escassez de medicamentos e produtos básicos, além de atravessar a terceira e pior onda de Covid-19, com quase sete mil casos registrados na última segunda-feira.

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