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Milhares saem às ruas em Cuba para protestar contra o governo

É a primeira vez que um grande grupo sai às ruas de Havana desde o 'Maleconazo', em 1994, durante crise econômica do 'Período Especial'

Por Da Redação 12 jul 2021, 08h39

Aos gritos de “liberdade” e pedindo a renúncia do presidente Miguel Díaz-Canel, milhares de pessoas foram às ruas em diferentes cidades de Cuba, entre elas Havana, para protestar contra o governo neste domingo, 11. Na capital, as manifestações pacíficas foram interceptadas por forças da segurança e apoiadores do governo, ocasionando confrontos violentos e prisões.

Os distúrbios entre manifestantes e militantes do governo na capital ocorreram no Parque da Fraternidade, onde mais de mil pessoas se reuniram diante da forte presença de militares e policiais, que levaram muitas detidas.

No entanto, um grupo de centenas de manifestantes conseguiu escapar do cordão policial e avança em massa ao longo da avenida Paseo del Prado em direção ao Malecón aos gritos de “liberdade”, “pátria e vida” e “ditadores”, em referência aos líderes do país.

Um repórter da agência Reuters presente no local relatou uso de spray de pimenta contra manifestantes. No entanto, afirmou que as forças de segurança não tentaram parar a multidão.

Houve também grupos organizados de apoiadores do governo, que gritaram “Eu sou Fidel” ou “Canel, meu amigo, o povo está contigo”, em alusão ao presidente Miguel Díaz-Canel.

O evento pode fazer história, já que é a primeira vez que um grande grupo de cubanos sai às ruas de Havana para protestar contra o governo desde o famoso “Maleconazo” de 1994, no meio da crise econômica do chamado “Período Especial”.

A prova da gravidade da situação é que as autoridades cortaram o serviço de internet móvel em todo o país, possivelmente para impedir a divulgação de vídeos dos protestos e reduzir a capacidade de reunião dos participantes.

 

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A manifestação em Havana surge após uma onda de protestos espontâneos neste domingo em diferentes partes do país, o primeiro deles em San Antonio de los Baños, onde uma pessoas tomaram as ruas para exigir liberdade e criticar o governo pela escassez de comida, medicamentos e os contínuos apagões sofridos pelo município, que fica 30 quilômetros a leste da capital.

A manifestação em San Antonio, duramente reprimida pela polícia, relataram testemunhas à Agência Efe, foi transmitida ao vivo no Facebook até a internet ser cortada, o que possivelmente motivou atos semelhantes em outras localidades, como Güira de Melena e Alquízar (oeste), Palma Soriano (leste), Cienfuegos (centro) e Havana.

Crise

As manifestações acontecem em um momento de grave crise em Cuba, que sofre uma preocupante escassez de medicamentos e produtos básicos e também atravessa a terceira e pior onda de Covid-19, com taxas de contágio extremamente elevadas nas regiões mais afetadas.

Os atos acontecem também em meio a um novo recorde de infecções e mortes pelo coronavírus, com 6.923 casos registrados, dentro de um total de 238.491. Foram 47 mortes em 24 horas, levando o total desde o início da pandemia para 1.537. 

Várias das polêmicas lojas estatais que vendem comida e produtos básicos em moeda estrangeira foram saqueadas neste domingo, em meio à inédita onda de protestos.

Durante os protestos, um dos gritos mais frequentes foi o de “abaixo as lojas MLC”, em referência às lojas em “moeda livremente conversível” que se multiplicaram pelo país no último ano. Muitos cubanos não têm acesso a esses estabelecimentos porque não são remunerados em dólares ou euros.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, apareceu neste domingo em duas ocasiões. Primeiro, foi a San Antonio de los Baños, onde, acompanhado por um grupo de apoiadores e forças de segurança, acusou “mercenários pagos pelo governo dos EUA” de organizarem os protestos.

Mais tarde, falou ao vivo na televisão estatal, na qual pediu para que seus apoiadores estejam prontos para o “combate”, em resposta aos protestos contra o governo. 

“A ordem para lutar está dada. Revolucionários, para as ruas”, disse o presidente. 

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