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Apesar da trégua, paz duradoura entre israelenses e palestinos ainda é uma miragem

O próximo passo — a devolução da administração de Gaza aos palestinos — depende de o grupo depor suas armas e de Israel recuar suas tropas

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 dez 2025, 06h00 • Atualizado em 24 dez 2025, 09h45
  • Faltando oito dias para completar dois anos, o bombardeio diário da Faixa de Gaza por drones e caças israelenses finalmente foi suspenso por obra de um plano de paz de vinte pontos, avalizado pelo presidente americano, em pessoa. Donald Trump tem a pretensão de pôr um ponto-final em um conflito que já dura mais de meio século, mas que entrou em ebulição quando, em 7 de outubro de 2023, um ataque-surpresa do grupo palestino Hamas massacrou 1 200 pessoas em Israel e capturou mais de 200 reféns. Silenciadas as bombas, os vinte reféns vivos ainda em mãos do Hamas, bem como os corpos de quase todos os mortos, foram resgatados, em troca da libertação de 2 000 palestinos presos em Israel. A ajuda humanitária também voltou a fluir em direção ao enclave, atenuando o estado de fome generalizada em que a população civil se encontrava. Em outro movimento importante, uma multidão de palestinos recebeu permissão para voltar à devastada Cidade de Gaza, a maior do território, deparando-se com um cenário aterrador. O rastro de escombros é doze vezes maior do que a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, e a reconstrução, avaliada em 70 bilhões de dólares, levará décadas quando começar — se começar.

    Apesar de violações pontuais de parte a parte, a trégua vem se sustentando, com a estreita faixa de terra às margens do Mar Mediterrâneo dividida por uma Linha Amarela que mantém o controle das forças armadas israelenses sobre uma vasta área, enquanto o Hamas tenta se recompor no restante. O próximo passo — a devolução da administração aos palestinos — depende de o grupo depor suas armas e de Israel recuar suas tropas, dois sapos que nenhuma das partes parece disposta a engolir. Inflado pela volta dos reféns, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Ne­ta­nyahu, procura se equilibrar entre a necessidade de agradar a Trump, o fiador da paz, e os religiosos radicais de sua coalizão de governo, que reivindicam a pura e simples ocupação definitiva de Gaza. Em um desértico Oriente Médio em fase de reajuste das placas tectônicas da geopolítica, a paz duradoura ainda é uma miragem.

    Publicado em VEJA de 24 de dezembro de 2025, edição nº 2976

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