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Anexação da Groenlândia por Trump pode implodir a Otan, diz especialista

Ao falar abertamente em anexação e até no uso da força, o presidente americano reacende temores na Europa

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jan 2026, 15h55 •
  • A escalada retórica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possível anexação da Groenlândia levou a tensão internacional a um novo patamar. Depois de semanas de ofensiva direta na Venezuela, Trump passou a tratar publicamente a incorporação do território autônomo da Dinamarca como uma opção concreta — inclusive com o uso de força militar, se considerado necessário para a segurança nacional americana (este texto é um resumo do vídeo acima).

    A declaração, confirmada pela Casa Branca em resposta à agência Reuters, provocou reações imediatas na Europa e levantou alertas sobre uma ruptura com princípios do direito internacional e com normas históricas entre aliados.

    O que está em jogo na ofensiva sobre a Groenlândia?

    Para o cientista político Thiago Aragão, CEO da Arko International, a Groenlândia ocupa hoje um papel estratégico central. O território concentra interesses econômicos relevantes, como minerais estratégicos e potencial energético, além de sua posição geográfica sensível no Atlântico Norte. Ao elevar o tom, Trump não apenas pressiona um aliado histórico, como também testa os limites das alianças ocidentais.

    Segundo Aragão, o simples fato de um país membro da Otan admitir publicamente a possibilidade de atacar outro aliado cria um paradoxo institucional inédito. “A Otan não foi concebida para lidar com um ataque interno. Isso não estava previsto em sua carta de fundação”, avalia.

    Por que a Rússia observa o movimento com interesse?

    Na análise de Aragão, qualquer gesto que fragilize a Otan atende diretamente aos interesses estratégicos do presidente russo, Vladimir Putin. Uma eventual crise envolvendo a Groenlândia seria vista em Moscou como a materialização de um antigo objetivo: enfraquecer a principal aliança militar do Ocidente sem disparar um único míssil.

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    Nesse cenário, a Rússia teria todo o incentivo para estimular politicamente a escalada americana, ainda que de forma indireta, ampliando o desconforto europeu e testando a coesão do bloco atlântico.

    Anexação ou negociação: quais são os limites reais?

    Apesar da retórica agressiva, Aragão pondera que as opções práticas são restritas. Uma invasão direta equivaleria, na prática, a uma declaração de guerra contra a Otan — um custo político e militar de enormes proporções. Já a via da negociação encontra resistência tanto do governo dinamarquês quanto da própria população da Groenlândia, que rejeita a ideia de anexação.

    Há, no entanto, caminhos alternativos. Os Estados Unidos já mantêm presença militar no território e poderiam ampliar bases e influência estratégica sem necessidade de anexação formal. Esse movimento garantiria controle regional com menor atrito diplomático.

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    Por que Trump insiste no confronto aberto?

    Para Aragão, a resposta passa pelo estilo político do presidente americano. “Há um componente fortemente midiático. Trump gosta do impacto, do gesto bombástico, da frase que domina o noticiário”, afirma. Uma expansão silenciosa da presença militar não produziria o efeito simbólico e político que o presidente costuma buscar.

    O resultado é uma combinação de cálculo estratégico com espetáculo político — que, ao mesmo tempo em que reforça a imagem de força para o eleitorado interno, amplia a instabilidade internacional e adiciona mais um foco de tensão a um cenário global já marcado por disputas entre Estados Unidos, China e Rússia.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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