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Alemanha tem ‘estágio de alarme’ energético após queda de gás russo

Fluxos de gás mais baixos mostraram que o país poderia entrar em recessão se o fornecimento russo parasse completamente

Por Da Redação 23 jun 2022, 08h55

A Alemanha acionou o “estágio de alarme” de seu plano de emergência de gás nesta quinta-feira, 23, em resposta à queda no fornecimento russo. No entanto, o país não permitiu que as concessionárias repassassem os custos de energia para os clientes.

A decisão é em grande parte simbólica, como forma de sinalizar para empresas e famílias que um possível racionamento pode estar a caminho. Mas é uma grande mudança para a Alemanha, dependente dos recursos energéticos de Moscou.

Fluxos de gás mais baixos mostraram que o país poderia entrar em recessão se o fornecimento russo parasse completamente. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da S&P Global nesta quinta-feira acusou uma perda de impulso econômica no segundo trimestre.

“Não devemos nos enganar: o corte no fornecimento de gás é um ataque econômico contra nós do [presidente russo Vladimir] Putin”, disse o ministro da Economia alemão, Robert Habeck, em comunicado, acrescentando que os alemães teriam que reduzir o consumo de gás.

Ele acrescentou que o gás é uma “mercadoria escassa na Alemanha” e que um racionamento de gás não pode ser descartado.

A Rússia negou que as reduções no fornecimento de gás tenham sido premeditadas. A estatal Gazprom culpou um atraso na devolução de equipamentos, causado por sanções ocidentais. Nesta quinta, o Kremlin disse que continua sendo um fornecedor de energia confiável e “cumpre rigorosamente todas as suas obrigações” com a Europa.

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Sob seu plano de Fase 2, Berlim fornecerá uma linha de crédito de 15 bilhões de euros (R$ 81,83 bilhões) para encher instalações de armazenamento de gás e lançar um modelo de leilão de gás para incentivar os usuários industriais a economizar.

O governo ativa o segundo “estágio de alarme” de um plano de emergência, que tem três estágios no total, mediante a alto risco de escassez de suprimentos a longo prazo. Isso inclui uma cláusula que permite que as concessionárias repassem imediatamente os preços para a indústria e as famílias, ajudando a conter a demanda. Habeck disse que a Alemanha não estava nesse ponto ainda.

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Na semana passada, contudo, a Gazprom cortou os fluxos através do gasoduto Nord Stream 1 pelo Mar Báltico para apenas 40% da capacidade. Desde então, especula-se sobre uma mudança para a próxima de alarme.

Os preços do gás no atacado holandês, referência europeia, subiram até 8% nesta quinta-feira após o anúncio da Alemanha.

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A Rússia pode cortar o gás para a Europa inteira para reforçar sua influência política, disse o chefe da Agência Internacional de Energia (AIE) na quarta-feira 22, acrescentando que o continente precisa se preparar.

Vários países europeus delinearam medidas para resistir a um aperto na oferta e evitar a escassez de energia durante o inverno austral, assim como um aumento da inflação que pode testar a capacidade do continente de manter as sanções à Rússia.

Os cortes no fornecimento também levaram as empresas alemãs a contemplar dolorosos cortes de produção e recorrer a formas poluentes de energia anteriormente consideradas impensáveis. A União Europeia sinalizou na quarta-feira que vai recorrer temporariamente ao carvão para suprir os déficits de energia, chamando os cortes no fornecimento de gás de Moscou de “movimentos desonestos”.

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O chefe de política climática do bloco, Frans Timmermans, disse nesta quinta-feira que 10 dos 27 países membros do bloco emitiram um “alerta precoce” sobre o fornecimento de gás – o primeiro e menos grave dos três níveis de crise identificados no regulamento de segurança energética da União Europeia.

“O risco de interrupção total do gás agora é mais real do que nunca”, disse ele.

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