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Alemanha e França pedem renúncia de relatora da ONU para Palestina após declarações

Francesca Albanese é acusada de incitar ódio contra judeus; A jurista italiana nega, alegando manipulação de sua fala em conferência

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 fev 2026, 09h20 • Atualizado em 13 fev 2026, 10h39
  • A Alemanha se juntou à França nos pedidos pela renúncia de Francesca Albanese, relatora especial das Nações Unidas para os territórios palestinos, devido a uma fala durante conferência pela qual foi acusada de supostamente incitar ódio contra Israel. Nesta sexta-feira, 13, uma porta-voz do braço de direitos humanos da organização internacional defendeu a jurista italiana, afirmando que especialistas independentes tornaram-se alvo de “ataques pessoais, ameaças e desinformação”.

    O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, disse respeitar o sistema de relatores independentes das Nações Unidas, mas exigiu que Albanese deixasse o posto.

    “A Sra. Albanese fez inúmeras declarações inapropriadas no passado. Condeno suas recentes declarações sobre Israel. Sua posição é insustentável”, escreveu ele no X na quinta-feira 12.

    Seu homólogo francês, Jean-Noël Barrot, fez o mesmo pedido no dia anterior, pelos mesmos comentários. Segundo ele, os comentários recentes se somaram a “uma longa lista de posições escandalosas”. O ministro acusou a italiana de “justificar” os ataques do Hamas contra comunidades do sul israelense em 7 de outubro de 2023, que deixaram 1.200 mortos e fizeram eclodir a guerra em Gaza, e de “comparar Israel ao Terceiro Reich”.

    “A França condena veementemente as declarações ultrajantes e repreensíveis feitas pela Sra. Francesca Albanese, que não são dirigidas ao governo israelense, cujas políticas podem ser criticadas, mas a Israel como povo e como nação, o que é absolutamente inaceitável”, disse o chanceler à Assembleia Nacional da França, onde vinte deputados assinaram uma carta pedido que a relatora fosse destituída. “Ela é uma ativista política que incita o discurso de ódio, o que prejudica a causa do povo palestino”, completou.

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    Nesta sexta, o governo da República Checa também escreveu em seu perfil oficial no X que Albanese deveria perder o cargo, dizendo que ela teria chamado Israel de “inimigo comum da humanidade”.

    A polêmica

    Falando por videoconferência em um fórum realizado no último sábado em Doha, no Catar, organizado pela emissora árabe Al Jazeera, Albanese se referiu a um “inimigo comum” que possibilitou o “genocídio” em Gaza.

    “Em vez de deter Israel, a maior parte do mundo o armou, deu a Israel desculpas políticas, proteção política e apoio econômico e financeiro”, disse ela. “Nós, que não controlamos grandes quantidades de capital financeiro, algoritmos e armas, agora vemos que, como humanidade, temos um inimigo comum”, continuou.

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    Na quarta-feira 11, a advogada italiana se defendeu em uma entrevista ao canal de TV France 24, gravada antes dos primeiros pedidos de renúncia, denunciando o que chamou de “acusações completamente falsas” e “manipulação” de suas palavras.

    “Eu nunca, jamais, jamais disse que ‘Israel é o inimigo comum da humanidade'”, afirmou. A emissora francesa também publicou a transcrição do discurso na conferência, que evidencia que ela não fez tal declaração.

    Albanese tem um histórico de acusações feitas por críticos devido a suposta incitação de ódio contra judeus e posicionamentos anti-Israel. Ela tornou-se alvo de sanções do Departamento de Estado americano em julho passado por “antissemitismo descarado” e “travar uma guerra política e econômica” contra os Estados Unidos e Israel. Em entrevista a VEJA, em agosto, a jurista afirmou que a medida era uma retaliação ilegal.

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    “Foi uma medida ilegal do governo americano, simples assim. É algo inédito e sem precedentes que uma pessoa da ONU — seja funcionária ou especialista em missão, como é o meu caso — sofra sanções econômicas e seja proibida de entrar nos Estados Unidos, onde está sediada a ONU, por causa de seu trabalho”, disse ela. “Está claro que se trata de uma retaliação contra mim, depois do meu último relatório, que questionava a responsabilidade do setor privado — incluindo empresas americanas — na economia da ocupação e na economia do genocídio.”

    Relatores especiais são especialistas independentes e não remunerados nomeados pelas Nações Unidas. Em seu cargo, Albanese publica relatórios investigativos periódicos sobre os territórios palestinos e tem acesso a uma plataforma e autoridade para divulgar suas opiniões sobre o conflito.

    Nesta sexta-feira, a porta-voz do escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas, Marta Hurtado, defendeu a jurista italiana durante uma coletiva de imprensa em Genebra.

    “Estamos muito preocupados. Tememos que funcionários, especialistas independentes e autoridades judiciais das Nações Unidas estejam sendo cada vez mais alvo de ataques pessoais, ameaças e desinformação, o que desvia a atenção das graves questões de direitos humanos”, disse Hurtado ao ser questionada sobre as declarações da França e Alemanha.

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