Agência da ONU para os Direitos Humanos opera em ‘modo sobrevivência’, alerta comissário
Segundo Volker Türk, falta de financiamento já afeta diretamente as atividades da agência, que reduziu sua presença em 17 países
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou nesta quinta-feira, 5, que a organização enfrenta uma grave crise financeira e opera atualmente em “modo sobrevivência” devido à falta de recursos.
“Estamos no modo sobrevivência e devemos cumprir nossas missões com limitações”, disse Türk, em Genebra, ao apresentar a diplomatas um apelo por contribuições voluntárias para 2026.
Segundo ele, a redução do financiamento já afeta diretamente as atividades da agência. “Em 2025, cumprimos menos da metade das missões de acompanhamento de direitos humanos em comparação com 2024. Reduzimos nossa presença em 17 países”, disse.
De acordo com Türk, os cortes e reduções que atingem o Alto Comissariado “dão carta branca aos autores de violações dos direitos humanos”. Ele ainda ressaltou o papel da agência em um contexto de avanço da desinformação e da censura, afirmando que o órgão “fornece informações confiáveis sobre as atrocidades e os avanços em matéria de direitos humanos em um momento no qual a verdade é minada pela desinformação e pela censura”.
‘Colapso financeiro’
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já havia alertado na semana passada para um “colapso financeiro iminente” do órgão como um todo caso alguns países, como os Estados Unidos, não cumpram seus compromissos financeiros.
Segundo Guterres, a ONU enfrenta problemas orçamentais crônicos porque alguns Estados-membros não pagam as suas contribuições obrigatórias integralmente e outros atrasam os pagamentos, o que forçou a organização a suspender contratações e adotar medidas de contenção de gastos.
As necessidades do Alto Comissariado para 2026 são da ordem de US$ 400 milhões (R$ 2,09 bilhões) em contribuições voluntárias, segundo Türk. “Neste período crítico, este valor nos permitirá defender todos os direitos — civis, políticos, sociais, culturais e econômicos — de todas e todos”, afirmou.
Em 2025, o Alto Comissariado havia solicitado US$ 500 milhões (US$ 2,6 bilhões) em doações, mas arrecadou cerca de apenas metade — US$ 262,1 milhões (R$ 1,37 bilhão).
No ano passado, a agência de direitos humanos das Nações Unidas, que conta com 1.275 funcionários em 87 países, realizou mais de 5.000 missões de monitoramento e prestou apoio direto a 67.000 sobreviventes de tortura e de formas contemporâneas de escravidão.
“Em escala mundial, contribuímos para a libertação de mais de 4.000 pessoas detidas arbitrariamente, quase mil a mais do que no ano anterior”, acrescentou Türk.





