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Agência atômica da ONU diz não haver provas de programa de armas nucleares do Irã

Chefe da AIEA ressaltou, por outro lado, que Teerã enriqueceu urânio a 60% de pureza – um nível muito além das necessidades energéticas civis

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 mar 2026, 16h36 • Atualizado em 3 mar 2026, 16h54
  • O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Rafael Grossi, afirmou nesta terça-feira, 3, que inspetores do órgão não encontraram evidências de um programa coordenado do Irã para construir armas nucleares, apesar de alegações dos Estados Unidos e de Israel.

    Segundo o chefe da AIEA, agência vinculada às Nações Unidas, não foram encontrados “elementos de um programa sistemático e estruturado para fabricar armas nucleares”. Ao mesmo tempo, no entanto, ele confirmou em entrevista à emissora americana NBC que Teerã enriqueceu urânio a 60% de pureza – um nível muito além das necessidades energéticas civis e tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.

    Grossi enfatizou que os inspetores não puderam concluir que o Irã pretende construir uma bomba, mas disse que o acúmulo de material levanta sérias questões.

    “As centrífugas giravam constantemente e produziam cada vez mais desse material”, disse ele, acrescentando que, teoricamente, isso seria “suficiente para produzir mais de 10 ogivas nucleares. Mas eles as têm? Não.”

    Em paralelo, a AIEA confirmou danos feitos por ataques dos EUA e de Israel em instalações ligadas à central de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irã. Em análise feita a partir de imagens de satélite, o órgão afirma que os impactos atingiram estruturas de acesso. Não são esperadas consequências radiológicas.

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    Localizada a cerca de 200 quilômetros a sudeste de Teerã, a usina de Natanz é uma das principais estruturas do programa nuclear iraniano. A parte subterrânea da instalação, onde fica a maior parte das instalações de enriquecimento, é enterrada para protegê-la de ataques aéreos.

    A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.

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    As forças israelenses já haviam atingido a usina em junho do ano passado, durante uma guerra aérea de 12 dias, quando americanos se aliaram a Israel contra a nação persa. Segundo estimativas anteriores da agência, antes dos bombardeios realizados em junho por Estados Unidos e Israel, Teerã possuía cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% no local à época.

    No sábado 28, Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã, matando dezenas de comandantes militares, políticos e o líder supremo, Khamenei. Em resposta, Teerã iniciou uma campanha de bombardeios sem precedentes a bases americanas no Oriente Médio.

    O presidente Donald Trump acusou o Irã de “travar uma guerra contra a civilização” e pediu a rendição da Guarda Revolucionária Islâmica no domingo.

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    Pelo menos 787 pessoas foram mortas no Irã até o momento pela campanha conjunta EUA-Israel, informou a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano. Ao menos 10 morreram em Israel, 52 no Líbano, quatro no Iraque, nove no Kuwait, três nos Emirados Árabes Unidos, uma no Bahrein.

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