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África do Sul acusa EUA de ‘coerção por ausência’ após Trump boicotar cúpula do G20

No final de semana passado, os EUA emitiram nota informando que nenhum dos seus representantes seriam enviados à reunião em Joanesburgo

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 nov 2025, 13h20 • Atualizado em 20 nov 2025, 14h07
  • A África do Sul acusou os Estados Unidos de “coerção por ausência” nesta quarta-feira, 19, após o governo de Donald Trump anunciar que não compareceria na cúpula do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, em Joanesburgo, que ocorrerá entre os dias 22 e 23. No final de semana passado, os EUA enviaram uma nota informando que nenhum dos seus representantes seriam enviados à reunião e que não aceitariam qualquer declaração conjunta emitida ao final do encontro.

    “A ausência de Washington anula seu papel nas conclusões do G20”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da África do Sul, Chrispin Phiri. “Não podemos permitir que a coerção por meio da ausência se torne uma tática viável. É uma receita para a paralisia institucional e o colapso da ação coletiva.”

    Segundo a agência de notícias francesa AFP, o comunicado da Embaixada americana em Pretória adiantava que o país só concordaria com a divulgação de uma “declaração do presidente”, não dos líderes do G20 como um todo. O texto apontava que “as prioridades da África do Sul no G20 contrariam as visões políticas dos EUA”. A África do Sul adotou como tema central “Solidariedade, Igualdade, Sustentabilidade”, com foco em sustentabilidade da dívida para países de baixa renda e no financiamento de uma “transição energética justa”. 

    “Não podemos apoiar o consenso sobre quaisquer documentos negociados sob sua presidência. Os EUA se opõem à publicação de qualquer documento final da cúpula do G20 sob a premissa de uma posição consensual do G20 sem o acordo dos EUA”, concluiu a nota.

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    Trump x Ramaphosa

    Os Estados Unidos assumirão a presidência do G20 em 2026 e criticam a expansão do bloco, voltado para questões econômicas globais quando foi criado em 1999. Em resposta à ausência de Trump no evento, presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse que não gostaria entregar a presidência a “uma cadeira vazia”.

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    Ele, contudo, afirmou que “a cadeira vazia estará lá, provavelmente simbolicamente, passando o bastão para aquela cadeira vazia e falando com o Presidente Trump e dizendo: ‘Mesmo que o senhor não esteja aqui, estou lhe passando as rédeas da presidência do G20.’ Porque o G20 como entidade continua, estejam eles aqui ou não”.

    Em fevereiro, os Estados Unidos cortaram parte do financiamento à África do Sul. No mês seguinte, Washington declarou o embaixador sul-africano persona non grata e expulsou o diplomata do país. Já em maio, o governo americano concedeu status de refugiado a 59 sul-africanos brancos por supostamente estarem sofrendo perseguição racial e acusou Ramaphosa de cometer “genocídio contra brancos”.

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